Esposa de Nicolás Maduro é acusada de envolvimento em narcotráfico e crimes violentos, segundo autoridades dos EUA
Cília Flores, esposa de Nicolás Maduro, foi capturada na madrugada de sábado durante uma operação conduzida por forças especiais dos Estados Unidos. De acordo com acusações apresentadas à Justiça norte-americana, ela é investigada por suposta participação em um esquema internacional de narcotráfico, além de envolvimento em casos de suborno e assassinatos.
Segundo a acusação, Flores teria atuado em conjunto com Maduro em atividades criminosas ligadas ao tráfico de drogas. Um dos pontos centrais do processo indica que ela teria aceitado pagamentos ilícitos ao intermediar, em 2007, uma reunião entre um narcotraficante e o então diretor da agência antidrogas da Venezuela, Néstor Reverol Torres. Após esse encontro, Reverol teria passado a receber cerca de 100 mil dólares por cada voo de cocaína autorizado a atravessar o território venezuelano. Parte desse valor, ainda conforme a denúncia, teria sido repassada a Cília Flores.
Os investigadores afirmam que qualquer participação, mesmo indireta, teria sido suficiente para incluí-la na suposta conspiração criminosa. A acusação sustenta que Flores teria contribuído para o funcionamento e a proteção do esquema de tráfico.
O processo também traz alegações consideradas graves, apontando que Nicolás Maduro e Cília Flores teriam ordenado sequestros, invasões e assassinatos de pessoas ligadas ao tráfico que deviam dinheiro ou representavam ameaça às operações criminosas. Entre os casos citados estaria a ordem para o assassinato de um líder do narcotráfico em Caracas.
O principal crime atribuído ao casal é o de conspiração para fabricar e distribuir cocaína. A acusação descreve Maduro como uma figura central no narcotráfico venezuelano, alegando que, desde os primeiros cargos públicos, ele teria usado sua posição para firmar alianças com diferentes organizações criminosas.
Entre os grupos citados estão o cartel de Sinaloa, o Trem de Aragua, Los Zetas e organizações guerrilheiras colombianas como o ELN e as Farc. O processo também menciona outras figuras de destaque da política e do crime organizado venezuelano, incluindo Diosdado Cabello, Ramón Rodríguez Chacín e Héctor Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder do Trem de Aragua.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça dos Estados Unidos, e os citados têm direito à ampla defesa.

