Fechamento de agências da Caixa em Teresina dificulta acesso a serviços e atinge população mais pobre
A Caixa Econômica Federal vem reduzindo sua rede de atendimento presencial em Teresina, medida que tem provocado impactos diretos sobre milhares de pessoas que dependem dos serviços do banco, especialmente beneficiários de programas sociais. Os encerramentos estão ocorrendo sem comunicação prévia à população e têm gerado críticas de usuários e de representantes da sociedade civil.
A Agência Cajuína, localizada na Avenida Kennedy, na zona leste da capital, encerrou as atividades nesta sexta-feira (02). O fechamento pegou de surpresa moradores e comerciantes da região, já que a unidade atendia uma ampla área da cidade e era referência para o acesso a serviços bancários e a programas governamentais. Com o encerramento, clientes agora precisam se deslocar para agências mais distantes.
A situação não se restringe a essa unidade. O Posto de Atendimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já havia sido desativado anteriormente, e o fechamento da Agência Da Costa e Silva também já foi anunciado. As medidas indicam uma política contínua de redução da rede física, adotada sem diálogo com a comunidade ou com entidades representativas locais.
A principal preocupação envolve a população de baixa renda. Em Teresina, milhares de famílias dependem de benefícios como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e seguro-desemprego, todos operacionalizados pela Caixa. Para muitos desses usuários, o acesso à internet é limitado e o uso de aplicativos bancários ainda representa uma dificuldade. Com menos agências em funcionamento, as unidades remanescentes passam a operar sobrecarregadas, resultando em longas filas, tempo excessivo de espera e gastos extras com transporte.
Em nota e manifestações públicas, a Caixa tem justificado os fechamentos como parte de um processo de modernização e otimização operacional, com foco na ampliação dos canais digitais. Segundo a instituição, a digitalização traria mais eficiência e redução de custos. No entanto, críticos afirmam que a estratégia desconsidera a desigualdade digital existente no país, especialmente entre idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social, para quem o atendimento presencial é essencial.
Como banco público, a Caixa possui papel central na execução de políticas sociais do governo federal. Por isso, o fechamento de agências levanta questionamentos sobre a compatibilidade entre sua missão de inclusão social e práticas de gestão voltadas principalmente à redução de custos. Especialistas em políticas públicas alertam que a digitalização dos serviços não pode ocorrer sem a oferta de alternativas acessíveis à população que não domina ou não tem acesso às tecnologias digitais.
Em Teresina, representantes da sociedade civil têm cobrado mais transparência da instituição, além de diálogo prévio antes da tomada de decisões que afetam diretamente a população. A ausência de comunicação e de participação social é apontada como uma falha grave. O cenário local reflete um movimento nacional de enxugamento da rede física da Caixa, reacendendo o debate sobre como conciliar modernização bancária com o direito de acesso aos serviços essenciais, especialmente para os mais vulneráveis.

