Venezuela reage a Trump e acusa os EUA de “ameaça colonialista” após declaração sobre espaço aéreo
O governo da Venezuela criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após ele recomendar que companhias aéreas evitem voar sobre o espaço aéreo venezuelano. A orientação foi publicada neste sábado (29) em uma rede social e elevou a tensão entre Washington e Caracas.
O chanceler venezuelano, Yván Gil Pinto, classificou a postura de Trump como uma “ameaça colonialista” e afirmou que se trata de uma agressão “extravagante, ilegal e injustificada”. A manifestação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores por meio de um comunicado oficial no Telegram.
Segundo Gil, a ordem do presidente americano é um ato hostil e unilateral que viola princípios básicos do direito internacional. Ele acusou os Estados Unidos de tentar impor uma “jurisdição ilegítima” sobre o espaço aéreo venezuelano e de colocar em risco a segurança territorial do país.
O governo venezuelano destaca que a ameaça representa uso explícito da força — algo proibido pelo Artigo 2, parágrafo 4, da Carta das Nações Unidas. Além disso, Caracas afirma que o ato contraria o Artigo 1 do documento, que trata da preservação da paz e segurança internacionais.
A chancelaria reforçou que somente o Estado venezuelano tem autoridade sobre o espaço aéreo nacional e que não aceitará “ordens, ameaças ou interferência de nenhuma potência estrangeira”. O comunicado também acusa os EUA de causar impactos humanitários imediatos ao suspender voos de repatriação incluídos no programa “Plan Vuelta a la Patria”, responsável por trazer de volta quase 14 mil venezuelanos.

Por fim, a Venezuela pediu apoio da comunidade internacional e das Nações Unidas para condenar o que considera um ato de agressão contra a soberania do país. O governo afirmou que responderá à ameaça “com dignidade e dentro da legalidade internacional”.

