Venezuela impõe tarifas de até 77% sobre produtos do Brasil e ignora acordo comercial
A Venezuela passou a cobrar tarifas que chegam a 77% sobre produtos importados do Brasil, contrariando o acordo bilateral de isenção tarifária firmado entre os dois países. A medida, implementada sem aviso prévio, surpreendeu exportadores brasileiros, principalmente em Roraima — estado que mantém forte dependência comercial com o país vizinho.
Medida desrespeita acordo de 2012
O acordo comercial entre Brasil e Venezuela, assinado em 2012 e incorporado em 2014, prevê isenção de tarifas para uma ampla gama de produtos brasileiros. No entanto, as novas cobranças variam entre 15% e 77%, o que representa uma quebra direta do compromisso firmado entre os países.
Barreira técnica: certificados de origem
Segundo o governo de Nicolás Maduro, as tarifas são justificadas pela suposta ausência de certificados de origem válidos nos produtos brasileiros. Exportadores e especialistas, no entanto, consideram essa exigência uma barreira não tarifária disfarçada, usada para restringir o comércio bilateral.
Tensão diplomática pode estar por trás da decisão
Fontes diplomáticas apontam que o endurecimento das regras comerciais pode estar relacionado ao recente posicionamento do presidente Lula, que não reconheceu a reeleição de Maduro em 2024. A decisão teria deteriorado ainda mais as relações entre os dois países, refletindo diretamente nas trocas comerciais.
Roraima é o estado mais prejudicado
A Venezuela é o principal parceiro comercial de Roraima. Entre 2019 e 2023, o estado exportou aproximadamente US$ 937 milhões em produtos para o país vizinho. A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER) já iniciou tratativas com autoridades brasileiras e venezuelanas para tentar reverter a situação e restabelecer o fluxo comercial.

