Venezuela acusa CIA de planejar ataque contra navio dos EUA para desestabilizar governo MaduroQuatro pessoas foram presas por envolvimento em suposto plano que teria como alvo o destróier USS Gravely, no Caribe.
O governo da Venezuela acusou nesta segunda-feira (27) os Estados Unidos de planejarem uma operação de “falsa bandeira” com o objetivo de culpar o presidente Nicolás Maduro por um possível ataque a um navio militar norte-americano no Caribe.
De acordo com o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, quatro pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento no plano, que teria como alvo o USS Gravely, um destróier dos EUA que participa de exercícios navais próximos a Trinidad e Tobago.
Governo fala em célula ligada à CIA
Cabello afirmou que os detidos integravam uma “célula criminosa” financiada pela CIA e que a operação pretendia simular um ataque contra a embarcação americana, para depois atribuir a autoria à Venezuela.
“Capturamos três pessoas da CIA”, declarou Cabello em uma coletiva do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), em Caracas. Ele acrescentou que os suspeitos tentaram apagar dados de seus celulares antes de serem detidos. “O que encontramos é ouro puro: conexões diretas com a CIA e com setores que odeiam a Venezuela”, disse.
Operação denunciada a Trinidad e Tobago
O chanceler Yván Gil afirmou que o governo venezuelano já notificou as autoridades de Trinidad e Tobago sobre o suposto plano. “Em nosso território está sendo desmantelada uma célula criminosa financiada pela CIA e vinculada a essa operação encoberta”, declarou.
No domingo (26), o governo de Caracas já havia anunciado a captura de um grupo de mercenários também associados à agência de inteligência norte-americana.
Tensão com os Estados Unidos
A denúncia ocorre em meio ao aumento das operações militares dos EUA no Caribe, oficialmente voltadas ao combate ao narcotráfico. Segundo a Venezuela, essas ações teriam, na verdade, o objetivo de promover a queda de Maduro.
O governo venezuelano citou que as recentes ações navais americanas resultaram em bombardeios a dez embarcações suspeitas de tráfico, deixando 43 mortos.
Atualmente, os EUA mantêm sete navios de guerra na região, e o grupo deve ser reforçado pelo porta-aviões Gerald R. Ford, considerado o maior do mundo.
O destróier USS Gravely chegou a Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago, no sábado (25), e deve permanecer no local até 30 de outubro para participar de manobras conjuntas com as forças locais.
O governo de Caracas classificou a presença da embarcação, a poucos quilômetros de seu litoral, como uma “provocação direta” e reforçou que “não permitirá qualquer violação de sua soberania”.

