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Trump pediu moderação à premiê do Japão em crise diplomática com a China, dizem fontes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou à primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que evite ampliar a tensão com a China durante conversas realizadas nesta semana, segundo fontes do governo japonês. A orientação ocorre em meio ao esforço da Casa Branca em preservar a frágil trégua comercial com Pequim.

A crise diplomática ganhou força após Takaichi declarar no Parlamento que um eventual ataque chinês a Taiwan, caso representasse ameaça ao Japão, poderia justificar uma resposta militar. A afirmação irritou o governo chinês, que chegou a emitir alertas de viagem para seus cidadãos no Japão.

Segundo duas fontes ouvidas sob anonimato, Trump afirmou, em contato telefônico no dia 25, que não deseja ver uma escalada maior. Ainda assim, ele não apresentou exigências formais nem apoiou o pedido chinês para que Tóquio recuasse da fala. O governo japonês sustenta que a declaração da premiê está alinhada à política de defesa vigente.

Durante coletiva nesta quinta-feira (27), o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, evitou comentar detalhes das conversas diplomáticas.


Tensões entre Taiwan, China e EUA entram no cálculo japonês

A ligação ocorreu após Trump conversar com o presidente chinês Xi Jinping, que reiterou a importância da reunificação com Taiwan para a visão de Pequim sobre a ordem internacional. O republicano, que planeja visitar a China em abril, manteve silêncio sobre eventuais discussões envolvendo Taipé, afirmando apenas que os laços entre as duas potências permanecem “extremamente fortes” e próximos de um grande acordo comercial.

Em comunicado, Trump disse que boas relações entre EUA e China também favorecem o Japão — aliado estratégico de Washington. No entanto, setores do governo japonês temem que o presidente americano flexibilize o apoio a Taiwan em troca de avanços comerciais com Pequim, o que poderia aumentar a instabilidade militar na Ásia Oriental.


Aliados pressionam por posicionamento mais claro dos EUA

A ausência de declarações públicas de Trump sobre a crise tem causado apreensão em Tóquio. Embora o embaixador americano tenha reafirmado apoio ao Japão diante da “coerção” chinesa, parlamentares do partido governista esperam um posicionamento mais assertivo do aliado, considerando a presença militar dos EUA no arquipélago.

Analistas destacam que Washington tem elogiado o reforço da capacidade de defesa japonesa — movimento que, por sua vez, provoca irritação crescente em Pequim.


Pequim endurece o discurso e reage a movimentações japonesas

A China intensificou a retórica nesta quinta-feira (27). Em editorial, o Diário do Povo afirmou que Estados Unidos e China devem evitar “ações que revivam o militarismo japonês”, citando o histórico da Segunda Guerra Mundial.

O Ministério da Defesa chinês alertou ainda que o Japão pagará um “preço doloroso” caso ultrapasse “linhas vermelhas” envolvendo Taiwan, em referência aos planos de Tóquio de instalar mísseis de defesa aérea na ilha de Yonaguni — a apenas 110 km de Taiwan.

O gabinete de Takaichi confirmou a conversa com Trump, mas não deu detalhes além do resumo oficial. Também negou relatos do Wall Street Journal de que o presidente americano teria aconselhado a premiê a evitar provocações sobre a soberania de Taiwan.

Com a fala da primeira-ministra agora registrada publicamente, autoridades admitem que será difícil reverter o impacto diplomático, o que pode ampliar tensões e trazer riscos econômicos em um momento já delicado das relações sino-japonesas.

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