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Teresina inaugura primeiro ambulatório para doenças neurológicas raras do Piauí nesta segunda (28)

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), em Teresina, inaugura nesta segunda-feira (28) o primeiro ambulatório especializado no atendimento a doenças neurológicas raras em adultos no estado. A unidade funcionará na zona Leste da capital e será voltada para o diagnóstico e acompanhamento de enfermidades como ataxias hereditárias, porfiria intermitente aguda, amiloidose e miopatias.

A iniciativa é considerada um marco para a saúde pública piauiense, especialmente no tratamento de condições de baixa prevalência, que muitas vezes são pouco conhecidas até mesmo por profissionais da área. Além de ampliar o acesso ao diagnóstico, o ambulatório também contribuirá para o desenvolvimento científico e a formação acadêmica no estado.

Segundo o neurologista Tibério Borges, responsável pelo serviço, a criação do ambulatório representa um avanço importante para o cuidado de alta complexidade e para a geração de conhecimento sobre essas doenças.

“Muitas dessas condições apresentam sintomas inespecíficos, como dores de cabeça, convulsões ou fraqueza muscular, o que dificulta o diagnóstico e pode levar a tratamentos equivocados”, explica o especialista. “O ambulatório cria um espaço clínico-acadêmico fundamental, onde residentes e pesquisadores terão contato com casos desafiadores.”

Caso emblemático

A história do auxiliar de produção Cleilson Lopes da Silva, de 29 anos, evidencia os desafios enfrentados por pacientes com doenças neurológicas raras. Diagnosticado tardiamente com porfiria aguda intermitente, ele passou por uma verdadeira “odisseia diagnóstica”, sofrendo com dores intensas, convulsões, alucinações e perda dos movimentos.

“Fui medicado com remédios que agravaram meu quadro, por falta de um diagnóstico correto”, relata Cleilson. Hoje, em tratamento contínuo no HU-UFPI, ele já consegue caminhar com o auxílio de muletas e realiza sessões de fisioterapia. “Agradeço a Deus e à equipe do HU por cada passo que dou.”

Encaminhamento e atendimento

Inicialmente, o acesso ao novo serviço será feito por encaminhamento interno: o paciente deverá passar primeiro por avaliação com um neurologista geral, que poderá direcioná-lo ao ambulatório especializado.

A proposta é ampliar a capacidade de diagnóstico precoce, reduzir o sofrimento causado por tratamentos inadequados e garantir um cuidado mais humanizado e eficaz.

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