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Suprema Corte dos Estados Unidos derruba tarifaço e anima exportadores brasileiros de mel

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou o chamado “tarifaço” imposto pelo presidente Donald Trump foi recebida com entusiasmo pelo setor apícola brasileiro. Para os exportadores de mel, a medida representa a retomada da competitividade no mercado norte-americano.

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, afirmou que a decisão “não poderia ser melhor” para o segmento. Segundo ele, a retirada das tarifas tende a destravar negociações que estavam paralisadas e pode gerar reflexos positivos já a partir de março.

De acordo com Azevedo, a queda das barreiras tarifárias recoloca o mel brasileiro em condições de igualdade com concorrentes internacionais, favorecendo a retomada de contratos com compradores dos Estados Unidos.

Além do mel, outros produtos nacionais também podem ser beneficiados, como café solúvel, uvas e pescados.

Histórico das isenções

Antes da decisão definitiva da Suprema Corte, o governo americano já havia promovido duas rodadas de isenções. Em 14 de novembro de 2025, cerca de 200 produtos alimentícios de diversos países foram retirados da tarifa recíproca de 10% criada em abril.

No dia 20 do mesmo mês, uma nova medida específica para o Brasil suspendeu a sobretaxa de 40% anunciada em julho, ampliando a lista de exceções, que já somava quase 700 itens. O mel, no entanto, não estava entre os contemplados até então.

Entendimento da Suprema Corte

Por seis votos a três, os ministros da Suprema Corte concluíram que a legislação utilizada pelo governo não autoriza o presidente a impor tarifas amplas sem respaldo do Congresso. O presidente da Corte, John Roberts, relator do caso, destacou que é necessária uma “autorização clara do Congresso” para a criação desse tipo de imposto de importação.

Ficaram vencidos os ministros Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh.

A ação foi movida por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram a legalidade da medida.

O que muda na prática

Com a decisão, caem as tarifas de 10% ou mais que vinham sendo aplicadas desde abril de 2025 à maior parte dos parceiros comerciais dos EUA. No entanto, permanecem em vigor as tarifas sobre aço e alumínio, impostas com base na Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, justificadas por razões de segurança nacional.

Especialistas apontam ainda que o governo americano poderá ser obrigado a devolver parte dos valores arrecadados com as tarifas. Estimativas do Penn-Wharton Budget Model indicam que o montante pode ultrapassar US$ 175 bilhões.

Apesar da decisão, a possibilidade de novas tarifas no futuro não está totalmente descartada, caso o governo encontre respaldo legal para adotá-las.

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