Rio Parnaíba: o “Velho Monge” que une história, natureza e desenvolvimento no Nordeste
Com cerca de 1.450 km de extensão, o Rio Parnaíba é o maior curso d’água genuinamente nordestino. Nascido na Chapada das Mangabeiras, no sul do Piauí, ele percorre quase todo o estado e serve de fronteira natural entre Piauí e Maranhão, até desaguar no Atlântico, formando o Delta do Parnaíba — o único delta em mar aberto das Américas.
O Parnaíba nasce a cerca de 700 metros de altitude, em uma região protegida pelo Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, e segue rumo ao norte, cortando biomas como Cerrado e Caatinga. Seu trajeto perene alimenta ecossistemas, abastece cidades e sustenta comunidades ribeirinhas, sendo essencial para o abastecimento, agricultura, pesca e transporte.
Importância histórica e econômica
Desde o período colonial, o Parnaíba teve papel decisivo na ocupação e no desenvolvimento do Piauí. Foi por suas margens que surgiram as primeiras rotas comerciais e cidades, entre elas Teresina, fundada em 1852 para aproveitar o potencial fluvial como eixo econômico.
Durante décadas, embarcações transportaram produtos como algodão e babaçu até o litoral, tornando o rio um importante corredor de integração regional.
Hoje, apesar da redução da navegação comercial, o Parnaíba continua vital para a economia do Meio-Norte, irrigando plantações e sustentando a pesca artesanal. Sua relevância cultural também é marcante: o “Velho Monge”, imortalizado em poemas de Da Costa e Silva, simboliza a alma e a história do povo piauiense.
Infraestrutura e energia
Entre as principais obras sobre o rio, destaca-se a Usina Hidrelétrica de Boa Esperança, inaugurada em 1970, no município de Guadalupe (PI). Com 237 megawatts de capacidade, a barragem trouxe energia e controle de cheias, embora também tenha causado impactos ambientais, como o assoreamento do leito.
Outro marco é a Ponte Metálica João Luís Ferreira, inaugurada em 1939, ligando Teresina (PI) a Timon (MA) — símbolo da integração entre os dois estados.
Desafios ambientais
O Parnaíba enfrenta sérios problemas, como desmatamento das margens, assoreamento e poluição das águas. O lançamento de esgoto sem tratamento e o descarte de resíduos ameaçam a biodiversidade e a qualidade da água.
Para enfrentar essas questões, órgãos e instituições promovem ações de reflorestamento, monitoramento e educação ambiental, com destaque para o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Parnaíba e projetos coordenados pela CODEVASF.
A preservação do Parnaíba é essencial para o futuro do Nordeste. Cuidar do “Velho Monge” é proteger a identidade, a economia e o equilíbrio ambiental de toda uma região.

