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Retorno das execuções públicas: Hamas adota tática de terror semelhante à do Talibã em Gaza

Após o recuo do Exército israelense, o Hamas voltou a empregar execuções públicas na Faixa de Gaza, em um esforço para consolidar seu controle sobre o território e conter facções rivais. As cenas, registradas em vídeos que circulam nas redes sociais e divulgadas por meios oficiais do grupo, lembram as punições que o Talibã retomou no Afeganistão após reassumir o poder em 2021.

Na época, o Talibã anunciou que execuções e amputações seriam aplicadas conforme a lei islâmica. O mulá Nooruddin Turabi, então ministro das Prisões do governo provisório, afirmou que “cortar as mãos é necessário para a segurança” e que o grupo não aceitaria interferência estrangeira. A decisão provocou críticas imediatas dos Estados Unidos, que classificaram as punições como “abusos flagrantes dos direitos humanos”.

Internamente, oficiais do Talibã defendiam a exposição pública das sentenças como forma de “terapia social” para inibir crimes. O delegado de Informação e Cultura da província de Kandahar, Noor Ahmed Sayed, afirmou ao jornal El País que “quando você executa alguém na frente de todos, dá uma lição e obtém resultados muito bons”. As execuções em praças e estádios haviam se tornado um dos símbolos mais sombrios do primeiro governo talibã (1996–2001).

Agora, Gaza vive um cenário semelhante, com homens encapuzados executando supostos criminosos diante de multidões. O Hamas afirma que as ações visam “garantir a ordem e restaurar a lei” após anos de guerra e colapso institucional.

A população está dividida sobre a medida. Para o advogado Mumen al-Natoor, residente de Gaza, a prática é ilegal:

“Um homem mascarado mata outro homem mascarado sem investigação, sem tribunal, sem direito de apelação. Isso não é resistência, é ilegalidade. Aqueles que matam sem lei são criminosos.”

Por outro lado, alguns moradores veem nas execuções uma tentativa de restaurar a segurança. Abu Fadi al Banna, de 34 anos, afirmou:

“Começamos a nos sentir seguros. Organizaram o trânsito e desobstruíram os mercados. Estamos protegidos de delinquentes e ladrões.”

Terror e espetáculo de poder

O uso da violência pública como instrumento de poder político revela um padrão comum entre grupos fundamentalistas. Tanto no Afeganistão quanto em Gaza, execuções e punições espetaculares são usadas para afirmar autoridade e legitimidade. Enquanto o Talibã justificava amputações pela sharia, o Hamas enquadra as execuções como medidas de segurança.

Especialistas apontam que esses episódios evidenciam uma lógica mais ampla: governos de inspiração islamista que emergem de contextos de colapso estatal frequentemente recorrem à violência ritualizada para consolidar controle territorial e lidar com vácuos de poder, mesmo sob pressão internacional por desarmamento e novas estruturas de governo.

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