PGR pede ao STF suspensão de acareação no caso Banco Master
A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da acareação determinada pelo ministro Dias Toffoli no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. A audiência estava marcada para a próxima terça-feira (30) e reuniria o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro; o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa; e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
O procedimento tramita em sigilo, mas a manifestação da PGR foi confirmada nesta terça-feira (24), poucas horas após a decisão de Toffoli, que determinou a realização da acareação por meio de ofício.
A medida tinha como objetivo esclarecer divergências entre versões apresentadas por diferentes núcleos da investigação, além de apurar as circunstâncias em que teriam ocorrido possíveis fraudes no sistema financeiro.
Segundo as apurações, Ailton de Aquino Santos participou de reuniões que envolveram Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Nos encontros, foram discutidos detalhes da negociação para a compra do Banco Master pelo BRB, incluindo aspectos formais e a estrutura da composição da instituição, que previa a venda de ativos para outros bancos.
O BRB anunciou, em março deste ano, a intenção de adquirir o controle do Banco Master. No entanto, a operação passou a ser alvo de questionamentos por supostos riscos financeiros. Após uma série de reuniões, o Banco Central vetou o negócio, alegando falta de viabilidade econômica e potenciais impactos ao sistema financeiro.
Mesmo após o veto, o BRB adquiriu carteiras de crédito do Banco Master. De acordo com indícios levantados pela Polícia Federal, teria havido o uso de engenharia contábil para ocultar irregularidades, com suspeitas de fraudes que podem chegar a R$ 12,2 bilhões no sistema financeiro nacional.
Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, diante da suspeita de emissão de títulos falsos e de riscos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), medida que afetou clientes e trabalhadores da instituição.
O pedido da PGR para suspender a acareação agora será analisado pelo STF, que decidirá sobre a manutenção ou não do procedimento no curso das investigações.

