ONU critica ataques dos EUA a barcos no Caribe e pede suspensão das operações
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta sexta-feira (31) que o governo dos Estados Unidos interrompa os ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou as ações como “execuções extrajudiciais” e afirmou que o custo humano dessas operações é inaceitável. “Os Estados Unidos devem encerrar tais ataques e adotar todas as medidas necessárias para evitar execuções extrajudiciais a bordo dessas embarcações, independentemente de qualquer atividade criminosa suposta”, disse Türk em comunicado.
Desde setembro, o governo de Donald Trump realiza ataques militares no Caribe e no Oceano Pacífico contra supostos cartéis de drogas latino-americanos. Até o momento, foram 15 ataques, sendo oito no Caribe e sete no Pacífico, resultando na morte de mais de 50 pessoas.
A ofensiva foi autorizada pelo próprio Trump ao Pentágono, com o objetivo declarado de impedir que drogas chegassem aos Estados Unidos. Entretanto, analistas e governos da região, incluindo Venezuela e Colômbia, acusam os EUA de usar a operação como pretexto para desestabilizar o regime de Nicolás Maduro.
O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, da ONU, também levanta dúvidas sobre a justificativa oficial: o fentanil, principal droga ligada a overdoses nos EUA, vem principalmente do México, distante das áreas atacadas pelo Exército americano.
Além da ONU, a Colômbia e a Venezuela criticaram publicamente as operações e classificaram os ataques como execuções extrajudiciais, reforçando a preocupação internacional sobre a legalidade e o impacto humanitário dessas ações.

