Lula retorna a Belém para tentar destravar negociações na reta final da COP30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna a Belém nesta quarta-feira (19) para participar das negociações finais da COP30, que está prevista para encerrar na sexta-feira (21). A expectativa é de que sua presença ajude a avançar discussões que seguem sem consenso entre as delegações internacionais.
Segundo o governo, Lula deve se reunir com representantes de blocos estratégicos, como União Europeia, Grupo Africano e Grupo Árabe, além de movimentos da sociedade civil, povos indígenas, governadores e prefeitos. Em mensagem lida pela ministra Marina Silva na Cúpula dos Povos, o presidente confirmou que voltaria à capital paraense para reforçar o diálogo com o secretário-geral da ONU e fortalecer o multilateralismo climático.
A previsão é de que Lula desembarque em Belém por volta das 10h30.
Pontos críticos na negociação
A presença do presidente brasileiro é vista como uma tentativa de destravar temas considerados sensíveis, entre eles:
- Financiamento climático
- Lacunas nas metas climáticas apresentadas pelos países
- Medidas unilaterais de comércio
- Transparência e relatórios de monitoramento
Lula também busca garantir que a proposta de um roteiro para eliminação gradual dos combustíveis fósseis — defendida por ele na Cúpula dos Líderes e na abertura da conferência — seja ao menos mencionada na declaração final como compromisso a ser trabalhado nas próximas edições da COP.
“Pacote de Belém” entra em debate
Nesta quarta-feira, a presidência brasileira da COP30 inicia a discussão do chamado Pacote de Belém, documento que deve consolidar os resultados da conferência. Um primeiro rascunho foi apresentado às delegações na terça-feira (18), e agora será debatido em sessão plenária.
Embora a previsão oficial aponte encerramento para sexta-feira, COPs anteriores já precisaram ser prorrogadas devido à falta de consenso entre os quase 200 países participantes — que precisam unanimidade para aprovar o texto final.
Após uma primeira semana marcada por impasses e desacordos entre nações ricas e países emergentes, a chegada de ministros de Meio Ambiente e Clima deve dar novo ritmo às discussões, que entram agora em fase política e decisiva.

