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Lewandowski deixa Ministério da Justiça após impasses políticos e desejo de se afastar do cenário eleitoral

A decisão de Ricardo Lewandowski de deixar o comando do Ministério da Justiça foi motivada por uma combinação de fatores pessoais e políticos. Embora o desejo de dedicar mais tempo à família tenha pesado, o contexto institucional e a falta de avanços em projetos estratégicos também foram determinantes para a saída do ministro.

Com a aproximação das eleições de 2026 e a expectativa de que a pauta da Segurança Pública ganhe protagonismo no debate eleitoral, Lewandowski optou por antecipar sua saída para evitar desgaste político. A avaliação interna era de que o tema seria amplamente explorado em discursos de campanha, o que poderia intensificar pressões sobre a pasta.

A carta de demissão foi entregue nesta quinta-feira (8) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia sido informado previamente da decisão. Até o momento, não há definição sobre quem assumirá o cargo de forma definitiva.

O enfraquecimento da agenda do ministro no Congresso Nacional contribuiu para o desânimo. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, considerada o principal projeto de sua gestão, enfrenta forte resistência e está paralisada, especialmente por oposição de governadores e de setores da Polícia Federal. Outro ponto de frustração foi a tramitação do chamado PL Antifacção, que sofreu alterações promovidas pela oposição, descaracterizando pontos centrais defendidos pelo ministro.

Lewandowski deixou o Supremo Tribunal Federal em 2023, após 17 anos de atuação, com a expectativa de reduzir o ritmo de trabalho e ampliar o convívio familiar, sobretudo com os netos, que vivem fora de Brasília. Naquele período, retomou a advocacia, voltou a integrar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), assumiu função de árbitro no Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul e prestou consultorias jurídicas. No entanto, o convite para chefiar o Ministério da Justiça acabou reduzindo novamente o tempo disponível para a vida pessoal.

A saída do ministro provocou também um efeito em cadeia na pasta. O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, que já planejava deixar o cargo antes do fim do atual mandato presidencial, decidiu antecipar sua saída e informou que não permanecerá no governo, colocando-se à disposição para colaborar com a transição.

Lewandowski deixará oficialmente o Ministério da Justiça nesta sexta-feira. Caso o novo titular não seja nomeado até lá, o secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, assumirá o comando de forma interina.

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