Irã nega sentença de morte a manifestante após ameaça dos EUA; Trump diz que repressão diminuiu, enquanto mortes já passam de 2,4 mil
O governo do Irã negou nesta quinta-feira (15) que um manifestante detido durante os recentes protestos tenha sido condenado à pena de morte, após ameaças públicas dos Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que recebeu informações de que a repressão violenta no país estaria diminuindo, mas voltou a deixar em aberto a possibilidade de uma ação militar contra Teerã.
Segundo a Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, 2.435 manifestantes já tiveram a morte confirmada desde o início da repressão aos protestos, incluindo 13 crianças. O grupo afirma ainda que outras 882 mortes seguem sob investigação, o que pode elevar o número total de vítimas.
Trump declarou, na quarta-feira (14), que foi informado por “fontes confiáveis” de que as mortes no Irã estariam diminuindo e que não haveria planos de execuções de manifestantes. Ele afirmou esperar que as informações sejam verdadeiras, mas não descartou medidas mais duras contra o regime iraniano.
As declarações ocorreram em meio ao aumento da tensão internacional. Estados Unidos e Reino Unido reduziram parcialmente o número de militares na base aérea de Al-Udeid, no Catar, em uma ação descrita por autoridades à rede CBS como “medida de precaução”. A base é a maior instalação militar americana no Oriente Médio, com cerca de 10 mil soldados.
Também na quarta-feira, o espaço aéreo iraniano ficou fechado por cerca de cinco horas durante a madrugada, levando companhias aéreas a redirecionarem voos para evitar o país. A Lufthansa confirmou que suspendeu operações sobre o Irã e o Iraque “até novo aviso”, citando riscos de escalada militar.
No campo diplomático, o Reino Unido anunciou o fechamento temporário de sua embaixada em Teerã, que passará a operar de forma remota. Itália e Polônia recomendaram que seus cidadãos deixem o Irã, enquanto a Alemanha alertou companhias aéreas sobre o risco de operar no espaço aéreo iraniano.
A crise se intensificou após relatos de que Erfan Soltani, comerciante de 26 anos preso durante os protestos na cidade de Fardis, a oeste de Teerã, teria sido condenado à morte. A família informou inicialmente que a execução ocorreria na quarta-feira, mas depois comunicou a grupos de direitos humanos que a pena havia sido adiada.
Nesta quinta, a mídia estatal iraniana afirmou que Soltani foi detido por participação em protestos, mas negou que ele tenha sido sentenciado à execução. O Judiciário do país declarou que não há planos para enforcá-lo e classificou reportagens da imprensa estrangeira como “fabricação de notícias”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reforçou que “a forca está fora de questão” e garantiu que “não haverá enforcamentos nem hoje nem amanhã”. Em entrevista à Fox News, ele alertou Trump para não repetir o que chamou de “erro de junho”, em referência aos bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas em 2025.
Os protestos começaram no fim de dezembro, impulsionados inicialmente pelo colapso da moeda iraniana, mas rapidamente se transformaram em um movimento mais amplo contra o governo e a liderança do aiatolá Ali Khamenei. Desde então, Teerã impôs restrições severas à internet, dificultando a comunicação e a verificação independente das informações.
Devido ao bloqueio e às restrições impostas a jornalistas estrangeiros, veículos internacionais enfrentam grandes obstáculos para reportar diretamente do país. Mesmo assim, organizações de direitos humanos alertam que o número de mortos pode ser significativamente maior do que o oficialmente confirmado.
Em meio à crise, Trump usou sua rede Truth Social para incentivar os iranianos a “continuarem protestando”, afirmando que “a ajuda está a caminho”. Ele também admitiu que o regime iraniano pode cair, mas ponderou que “qualquer governo pode fracassar”, evitando declarar apoio formal a líderes da oposição no exílio.

