IOF mais alto: entenda o que muda para cartão de crédito, empréstimos e investimentos
STF restabelece decreto do governo que aumenta o imposto sobre operações financeiras; consumidor e empresas devem se preparar para custos maiores
O Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleceu quase integralmente o decreto presidencial que eleva as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), revogado anteriormente pelo Congresso. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, em meio ao impasse entre Legislativo e Executivo.
A medida impacta diretamente operações de crédito, câmbio, remessas ao exterior, investimentos e previdência privada. O objetivo do governo é aumentar a arrecadação, mas o efeito imediato será sentido no bolso de consumidores e empresas, que passarão a pagar mais em diversas operações financeiras.
Principais mudanças no IOF
Confira as novas alíquotas em vigor:
- Cartão de crédito internacional: passou de 3,38% para 3,5%
- Compra de moeda estrangeira em espécie: subiu de 1,1% para 3,5%
- Remessas internacionais (ex: curso no exterior): de 1,1% para 3,5%
- Investimentos no exterior: de 0,38% para 1,1%
- Crédito para empresas: alíquota diária duplicada de 0,0041% para 0,0082%, com adicional fixo de 0,38%
- Crédito para empresas do Simples Nacional: adicional subiu para 0,95%
- Previdência privada (VGBL): IOF de 5% sobre aportes acima de R$ 300 mil por ano em 2025, e R$ 600 mil a partir de 2026
A única exceção foi a suspensão do aumento do IOF sobre operações de risco sacado, modalidade usada por empresas para antecipação de recebíveis.
Impactos para empresas e consumidores
Segundo Felipe Storch, economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), o aumento da alíquota para empresas eleva o custo efetivo do crédito de 1,88% para 3,38% ao ano — um impacto relevante, especialmente para pequenos negócios.
Já no câmbio, a unificação das alíquotas de IOF em 3,5% para compra de dólar, remessas e uso de cartão elimina vantagens fiscais, mas encarece todas as alternativas. “O planejamento de gastos no exterior precisa ser ainda mais cuidadoso. Agora, fatores como spread bancário e taxa de câmbio oferecida passam a ser determinantes”, destaca o economista.
Investir no exterior ficou mais caro
Com o IOF sobre investimentos internacionais subindo para 1,1%, aplicações de curto prazo fora do Brasil perdem atratividade. Isso porque o imposto incide logo no envio do dinheiro ao exterior, reduzindo a rentabilidade líquida.
“Investidores precisarão revisar suas estratégias. A diversificação internacional segue válida, mas agora exige retorno maior para compensar o novo custo”, diz Storch.
Como alternativa, ele sugere o uso de BDRs, ETFs globais e fundos multimercados com exposição externa, que não são afetados pelo IOF e continuam oferecendo acesso a ativos internacionais.
Previdência privada: alerta para grandes aportes
Para quem investe em VGBL, a nova regra impõe IOF de 5% sobre aportes anuais superiores a R$ 300 mil (a partir de 2025), subindo para R$ 600 mil em 2026. A medida afeta principalmente os investidores de alta renda que usam o VGBL como instrumento de sucessão patrimonial.
“Essa mudança reduz a eficiência tributária de grandes aportes. É hora de repensar estratégias para evitar perdas no longo prazo”, conclui Storch.

