Flávio Bolsonaro aparece à frente de Tarcísio em cenário eleitoral, mas rejeição preocupa investidores
A corrida presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos nos bastidores do mercado financeiro. Um novo levantamento de intenção de voto indica que, apesar de a direita apresentar números competitivos no primeiro turno, a disputa segue fortemente condicionada pelo nível de rejeição dos principais nomes — fator visto como decisivo por investidores.
Nos cenários testados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança tanto no primeiro quanto no segundo turno. Em confrontos diretos, ele supera os principais adversários da oposição, com vantagem um pouco maior quando enfrenta o senador Flávio Bolsonaro do que em uma eventual disputa contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Para analistas do mercado, o dado central não é apenas a dianteira de Lula, mas sua resiliência eleitoral mesmo em um contexto de críticas à condução da política econômica e ao quadro fiscal. A leitura predominante é que a fragmentação da oposição e a alta rejeição de alguns candidatos acabam sustentando a competitividade do atual presidente.
Fiscal no centro das preocupações
A preferência do mercado por nomes da oposição está diretamente ligada à agenda fiscal. A percepção é de que o governo federal mantém uma postura expansionista, com dificuldades crescentes para conter o avanço da dívida pública e estabilizar a relação entre dívida e PIB nos próximos anos.
Projeções oficiais indicam que a dívida bruta pode ultrapassar a marca de 85% do PIB a partir de 2027, cenário que gera apreensão em um ambiente de juros elevados e inflação ainda resistente. Para investidores, candidatos que sinalizem compromisso com ajuste fiscal e controle de gastos tendem a ser vistos com mais simpatia.
Desempenho inicial e limites de Flávio Bolsonaro
O levantamento mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Tarcísio no primeiro turno. Esse desempenho é atribuído, em grande parte, ao peso do sobrenome Bolsonaro e ao fato de o senador já se apresentar como candidato de forma mais explícita.
No entanto, o mercado enxerga um obstáculo relevante: a rejeição elevada. Com índices próximos de 60%, Flávio enfrenta dificuldades para ampliar seu eleitorado em um eventual segundo turno, o que reduz sua atratividade como alternativa viável contra Lula.
Por que Tarcísio ainda agrada ao mercado
Mesmo aparecendo atrás no primeiro turno, Tarcísio de Freitas continua sendo apontado por investidores como o nome mais competitivo da direita em um confronto direto com o presidente. A principal razão é o menor nível de rejeição, além da capacidade de dialogar com eleitores de centro e setores menos ideologizados.
Sua gestão à frente do governo paulista reforça a imagem de pragmatismo administrativo e responsabilidade fiscal, características consideradas valiosas em um momento de deterioração das contas públicas federais.
Um roteiro parecido com 2022?
Entre analistas, cresce a avaliação de que a eleição de 2026 pode repetir a lógica do pleito anterior, marcada mais pela rejeição aos candidatos do que pelo entusiasmo com propostas. Confrontos envolvendo Lula e o bolsonarismo tendem a ativar rejeições mútuas, o que acaba favorecendo o incumbente.
Nesse ambiente, candidatos menos polarizadores ganham espaço não por empolgar o eleitor, mas por serem percebidos como a opção “menos rejeitada”.
O que deve decidir a eleição
Do ponto de vista do mercado, dois temas devem dominar o debate eleitoral: ajuste fiscal e segurança pública. A partir de 2027, o crescimento dos gastos obrigatórios tende a engessar o orçamento, tornando inevitável uma discussão mais dura sobre despesas, impostos e reformas estruturais.
Quem conseguir demonstrar capacidade política para enfrentar esse cenário — sem carregar um alto nível de rejeição — pode sair na frente. Por enquanto, Lula lidera as intenções de voto, mas a disputa segue aberta, especialmente no campo da direita. Para investidores, uma coisa já parece definida: em 2026, o voto tende a ser, mais uma vez, um voto de veto.

