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Ex-marqueteiro de Lula diz que direita projeta futuro enquanto PT mantém discurso do passado

O publicitário e estrategista político Paulo de Tarso da Cunha Santos, conhecido por atuar em campanhas eleitorais no Brasil há mais de quatro décadas, avalia que o cenário político brasileiro passa por mudanças influenciadas pelo avanço de movimentos de direita no mundo. Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou que lideranças conservadoras têm conseguido apresentar uma narrativa voltada ao futuro, enquanto o Partido dos Trabalhadores ainda aposta em mensagens baseadas em conquistas do passado.

Segundo o marqueteiro, esse contexto internacional tem impacto direto no ambiente político nacional e na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação dele, o crescimento de correntes políticas alinhadas ao movimento Make America Great Again, ligado ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, alterou a dinâmica do debate público e fortaleceu discursos mais conservadores.

Desgaste com a política tradicional

Para Paulo de Tarso, parte do eleitorado demonstra cansaço em relação ao funcionamento da política tradicional. Ele afirma que políticas públicas e grandes obras costumam demorar anos para apresentar resultados concretos, o que gera frustração em setores da população.

Esse cenário, segundo ele, reduz o impacto político de programas governamentais que, em outros períodos, tinham maior capacidade de mobilizar apoio popular. O estrategista avalia que a comunicação histórica do PT — baseada na valorização de políticas sociais e inclusão econômica — já não produz o mesmo efeito que teve em campanhas anteriores.

Pesquisas indicam disputa equilibrada

O marqueteiro também citou levantamentos recentes que apontam um cenário eleitoral competitivo. Pesquisa divulgada pela Genial/Quaest em março mostra empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.

De acordo com os dados do levantamento, ambos aparecem com 41% das intenções de voto nesse cenário. A pesquisa também indica aumento na taxa de desaprovação do governo federal: 51% dos entrevistados afirmam desaprovar a gestão, enquanto 44% dizem aprová-la.

Mesmo entre beneficiários do Bolsa Família, tradicional base de apoio do PT, o levantamento aponta sinais de desgaste. Nesse grupo, 38% afirmam desaprovar o governo.

Narrativa de futuro na política

Na avaliação do estrategista, o crescimento político de Flávio Bolsonaro está ligado à capacidade de representar duas ideias que encontram ressonância em parte do eleitorado: a promessa de renovação política e a continuidade do sentimento antipetista.

Ele destaca que campanhas eleitorais eficazes precisam ir além da apresentação de resultados administrativos. Para o publicitário, propostas capazes de projetar o futuro e despertar expectativas no eleitorado costumam ter maior impacto durante as disputas eleitorais.

Comunicação política e campanhas

Com experiência em marketing eleitoral desde a década de 1980, Paulo de Tarso afirma que uma campanha não deve ser avaliada apenas pelo resultado final nas urnas. Segundo ele, mesmo derrotas podem servir para fortalecer a imagem de um candidato e prepará-lo para disputas futuras.

O estrategista cita como exemplo a trajetória política de Lula, que disputou três eleições presidenciais antes de vencer em 2002.

Ele também afirma que, apesar da força das redes sociais, campanhas eleitorais bem-sucedidas ainda dependem de uma estratégia de comunicação que combine diferentes meios, como televisão, rádio e internet.

Debates e redes sociais

Na visão do publicitário, os debates entre candidatos continuam sendo momentos decisivos durante as campanhas. No entanto, a lógica desses eventos mudou com a popularização das redes sociais.

Hoje, muitos candidatos participam desses encontros pensando nos trechos curtos que poderão circular posteriormente na internet, ampliando o alcance das mensagens e aumentando a possibilidade de viralização de determinados momentos.

O jingle que marcou campanhas

Paulo de Tarso também relembrou a criação do jingle Lula Lá, utilizado na campanha presidencial de Lula em 1989. A música foi pensada inicialmente para mobilizar militantes do partido, mas acabou se tornando um dos símbolos mais conhecidos da comunicação política brasileira.

Novo ciclo político

Ao analisar o cenário nacional, o estrategista avalia que o Brasil pode estar se aproximando do fim do ciclo político dominado por Lula. Para ele, o país deverá discutir, nos próximos anos, um novo projeto de desenvolvimento nacional.

Na avaliação do publicitário, temas como educação, tecnologia e planejamento estratégico de longo prazo serão fundamentais para que o Brasil avance em competitividade e crescimento econômico.

Democracia e pluralidade política

Apesar das críticas ao ambiente político atual, Paulo de Tarso defende que a democracia depende da convivência entre diferentes correntes ideológicas. Segundo ele, um sistema democrático saudável precisa da presença de forças políticas tanto de esquerda quanto de direita.

Ao mesmo tempo, o estrategista alerta que posições extremadas, que busquem eliminar adversários políticos do debate público, podem representar riscos para o funcionamento das instituições democráticas.

Disputa eleitoral deve ser acirrada

Mesmo diante das dificuldades apontadas, o marqueteiro acredita que Lula ainda tem chances de vencer a próxima eleição presidencial. Ele avalia, no entanto, que a disputa tende a ser acirrada e possivelmente decidida apenas no segundo turno.

Para o estrategista, preparar a campanha e o eleitorado para um processo eleitoral longo será essencial para manter a mobilização política ao longo da disputa.

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