Ex-chefe do INSS é preso em operação que investiga fraudes bilionárias
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (13.nov.2025) o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto durante mais uma etapa da operação que apura um esquema de descontos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas. O caso envolve suspeitas de desvio bilionário e a atuação de uma organização criminosa estruturada em diversos Estados.
Stefanutto comandou o INSS entre julho de 2023 e abril de 2025, período em que passou a ser investigado por supostas irregularidades que teriam provocado um prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões entre 2019 e 2024. A indicação dele para o cargo partiu do então ministro da Previdência Carlos Lupi.
Além da prisão do ex-presidente, a PF também incluiu entre os investigados o ex-ministro da Previdência Ahmed Mohamad Oliveira, que deverá usar tornozeleira eletrônica, e realizou buscas contra o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA).
A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, cumpre 63 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão preventiva em 17 Estados.
Prisões confirmadas
Nove pessoas foram detidas pelos agentes, entre elas:
- Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS;
- Antônio Carlos Antunes Camilo, conhecido como “Careca do INSS”;
- Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho;
- Tiago Abraão Ferreira Lopes, diretor da Conafer;
- Cícero Marcelino de Souza Santos, ligado à Conafer;
- Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, ligado à Conafer;
- André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS;
- Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS;
- Thaisa Hoffmann, esposa de Virgílio Antônio.
Os investigados podem responder por inserção de dados falsos em sistemas públicos, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção, ocultação de patrimônio e outros delitos.
Defesa de Stefanutto contesta prisão
A equipe jurídica de Alessandro Stefanutto classificou a prisão como “ilegal” e afirmou não ter tido acesso prévio à decisão que autorizou a medida. Segundo os advogados, o ex-presidente sempre colaborou com as investigações e não teria praticado qualquer ato para obstruir o trabalho da PF.
A defesa informou que busca obter a íntegra da decisão judicial para adotar providências e reiterou confiança na inocência do ex-presidente.
Deputado investigado se manifesta
Alvo de mandado de busca, o deputado federal Euclydes Pettersen declarou que apoia integralmente o trabalho das autoridades e que está à disposição para prestar esclarecimentos. Ele lembrou já ter sido alvo de outras operações no passado, nas quais não houve condenação.
Trajetória de Alessandro Stefanutto
Antes de assumir a presidência do INSS, Stefanutto atuou no Tribunal de Justiça de São Paulo, na Receita Federal e no Ministério da Ciência e Tecnologia. É formado em direito, pós-graduado em gestão de projetos e mestre em sistemas de seguridade social pela Universidade de Alcalá, na Espanha.
No instituto, participou da implantação do sistema Siccau e ocupou cargos de direção orçamentária e logística. Também integrou a equipe de transição entre os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, atuando como consultor em Previdência Social.

