EUA podem impor entraves à prisão e extradição de Ramagem após ordem de Moraes
A ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes contra o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) enfrenta uma série de barreiras para ser efetivamente cumprida nos Estados Unidos, onde o parlamentar foi localizado nesta semana. A decisão foi emitida após o PlatôBR identificar Ramagem em um condomínio de alto padrão em North Miami na quarta-feira (19).
Embora o mandado esteja sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), medidas desse tipo costumam envolver a inclusão do investigado na difusão vermelha da Interpol, mecanismo internacional usado para localizar e deter foragidos. Só após essa etapa é que podem começar as negociações formais entre Brasil e EUA para uma eventual extradição.
Dificuldades na inclusão na Interpol
A inserção de um nome na lista da Interpol, porém, não é automática. A organização pode solicitar informações adicionais e, ao final da análise, recusar o pedido — como já ocorreu em outros casos envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que vivem fora do país.
Um exemplo é o do blogueiro Allan dos Santos, foragido desde 2021. A Interpol questionou o STF sobre as acusações e concluiu que não havia elementos suficientes sobre lavagem de dinheiro, rejeitando sua inclusão na difusão vermelha. Ele segue em liberdade nos Estados Unidos.
Em sentido oposto, a deputada Carla Zambelli foi recentemente inserida na lista internacional a pedido do Brasil, após ser condenada pelo STF por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Localizada na Itália, ela acabou detida nos arredores de Roma, e o processo de extradição segue em análise.
Condenação no STF e obstáculo político
Ramagem, assim como Zambelli, também já foi condenado pelo Supremo — recebeu pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias por participação na tentativa de golpe de Estado. Mas, diferentemente dela, está em território americano, o que adiciona um elemento político ao caso.
Moraes foi incluído pelo governo Donald Trump na Lei Magnitsky, que prevê sanções contra supostos violadores de direitos humanos. Esse fator pode dificultar a cooperação de autoridades americanas no caso, tornando um eventual pedido de extradição mais complexo e demorado.
Localização em condomínio de luxo
O PlatôBR encontrou Ramagem hospedado com a família no Solé Mia, um condomínio de luxo em North Miami. O empreendimento possui duas torres de 17 andares e uma extensa estrutura de lazer, cujo destaque é uma lagoa artificial com água cristalina, inspirada em praias do Caribe. O espaço oferece atividades como caiaque, stand up paddle, quadras esportivas, trilhas, áreas de piquenique, espaço para ioga e spa.
A diária de um apartamento simples no local custa cerca de R$ 2 mil, e o condomínio é conhecido por abrigar moradores de alta renda de diversos países latino-americanos. Próximo a Miami e Fort Lauderdale, o complexo se apresenta como um “paraíso privado”.

