Estudo do SGB aponta elevado potencial de terras raras e minerais estratégicos na Bacia do Parnaíba, no Piauí
Um estudo recente do Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelou a presença de concentrações significativas de minerais estratégicos na Formação Longá, situada na borda oriental da Bacia do Parnaíba, no Piauí. A pesquisa, registrada no Informe Técnico nº 28, analisou amostras em áreas que abrangem os municípios de Santa Cruz dos Milagres, Valença do Piauí e Picos, indicando alto potencial mineral para a região.
De acordo com o levantamento, as amostras apresentaram teores de fósforo (P₂O₅) que chegam a 26,08%, além de concentrações de urânio de até 1.268 partes por milhão (ppm). O estudo também identificou elevados índices de elementos terras raras, como ítrio, disprósio, érbio e itérbio, em níveis que, em diversos pontos, superam depósitos clássicos conhecidos internacionalmente, a exemplo da Formação Phosphoria, nos Estados Unidos, e das argilas iônicas do sul da China.
Os pesquisadores destacam que os níveis mineralizados possuem continuidade lateral que pode alcançar até três quilômetros, característica que pode ser observada inclusive por imagens de satélite, reforçando a extensão das ocorrências geológicas. Para a geóloga Carolina Reis, do SGB, os dados obtidos “ampliam o conhecimento sobre o potencial fosfático da região e indicam possível viabilidade econômica dessas ocorrências”.
A Formação Longá, de idade Devoniana Superior, é composta principalmente por folhelhos, siltitos e arenitos finos, formados em ambientes marinhos rasos. Segundo o estudo, essas condições favoreceram a precipitação autigênica de fosfatos e a concentração de metais considerados estratégicos para a indústria moderna.
Especialistas avaliam que a descoberta pode colocar o Piauí em posição de destaque no cenário mineral brasileiro, sobretudo diante da crescente demanda global por terras raras, insumos essenciais para a produção de equipamentos eletrônicos, tecnologias avançadas e sistemas de energia renovável.
O levantamento ressalta, no entanto, que ainda são necessárias etapas adicionais de pesquisa, como sondagens e modelagem geofísica, para delimitar com maior precisão os volumes exploráveis. Essas ações poderão abrir caminho para futuras iniciativas de desenvolvimento e exploração mineral na região.

