Especialista alerta para impactos do trigo moderno na saúde intestinal
Um debate reacende atenção no campo da nutrição: o papel do pão e do trigo industrializado na alimentação contemporânea. Segundo o nutricionista e palestrante Tiago Rocha, mudanças genéticas realizadas no trigo ao longo do século XX podem estar relacionadas a uma série de problemas de saúde que afetam a população hoje.
Rocha explica que, por volta da década de 1940, cientistas buscaram criar variedades de trigo mais resistentes e produtivas. Entre os experimentos da época, novas linhagens mais densas e de digestão complexa teriam surgido — e estariam presentes em boa parte dos alimentos consumidos atualmente.
De acordo com o especialista, o intestino humano não se adaptou completamente a essas modificações. O glúten, proteína presente no trigo, poderia aumentar a permeabilidade intestinal, permitindo que substâncias não digeridas passem para a corrente sanguínea.
Rocha afirma ainda que determinadas proteínas resultantes da digestão incompleta do trigo teriam estruturas semelhantes às de células da tireoide. Isso poderia levar o sistema imunológico a atacá-las inadvertidamente, contribuindo para distúrbios hormonais. Ele também cita possíveis associações entre essas proteínas e células cerebrais relacionadas ao equilíbrio, apontando uma ligação teórica com doenças neurológicas, como Parkinson.
Diante dessas hipóteses, o especialista defende que o consumo de trigo seja reduzido. Ele ressalta que, para quem não consegue excluir totalmente o alimento, uma alternativa seria optar por pães mais antigos. Segundo Rocha, produtos “dormidos” teriam digestão mais fácil, favoreceriam o crescimento de bactérias benéficas no intestino e impactariam menos na elevação da glicose.
As declarações de Tiago Rocha reforçam um debate crescente sobre a qualidade dos alimentos derivados do trigo moderno e seu impacto no bem-estar geral da população.

