Trump Diminui Prazo para Acordo na Ucrânia e Reitera Decepção com Putin
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (28) que irá encurtar o prazo de 50 dias dado à Rússia para chegar a um acordo de paz na Ucrânia. Ameaçando com “tarifas severas” de 100% caso não haja um cessar-fogo, Trump expressou sua desilusão com o presidente russo, Vladimir Putin.
“Estou decepcionado com o presidente [Vladimir] Putin. Vou reduzir aqueles 50 dias que dei para um número menor, porque acho que já sei qual vai ser a resposta do que vai acontecer”, declarou Trump durante um encontro com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na Escócia. O novo prazo, no entanto, não foi especificado.
Ultimato e Tarifas
Há duas semanas, Trump havia estabelecido um ultimato de até 50 dias para que a Rússia e a Ucrânia chegassem a um acordo de paz. Caso contrário, os EUA aplicariam tarifas de “cerca de 100%” sobre os produtos russos e de seus aliados comerciais. A Casa Branca confirmou que a taxa seria de 100% se o cessar-fogo não fosse alcançado no período estipulado.
“Estamos muito, muito insatisfeitos (com a Rússia), e vamos aplicar tarifas muito severas se não alcançarmos um acordo (de cessar-fogo) em 50 dias“, disse Trump em uma reunião anterior com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Na ocasião, Trump defendeu a imposição das tarifas elevadas, afirmando que o comércio é uma ferramenta eficaz para “resolver guerras“. Apesar de um amplo pacote de sanções econômicas já implementado pelos EUA contra a Rússia em 2022, o comércio entre os dois países ainda movimentou US$ 3,5 bilhões em 2024, incluindo fertilizantes, metais e combustível nuclear.
Mudança de Postura e Ajuda à Ucrânia
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, elogiou o anúncio de Trump, agradecendo e acusando a Rússia de querer fazer com que a guerra seja vista como um “novo normal”. Zelensky afirmou que “o financiamento de guerra da Rússia deve ser cortado. Seus laços com o Irã e a Coreia do Norte devem ser cortados. Qualquer fornecimento de componentes e equipamentos para a indústria militar russa deve ser interrompido“.
As declarações desta segunda-feira marcam uma notável mudança na postura de Trump em relação à guerra na Ucrânia. Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o presidente americano demonstrava uma possível reaproximação com Putin, chegando a cogitar um acordo de cessar-fogo sem a presença da Ucrânia.
Em fevereiro, um encontro tenso entre Trump e Zelensky na Casa Branca resultou em desavenças públicas e o cancelamento da reunião, com Trump acusando Zelensky de querer incitar uma Terceira Guerra Mundial. No entanto, a recusa de Moscou em aceitar as condições de Washington para um cessar-fogo parece ter frustrado o líder americano. Recentemente, Trump chegou a criticar os bombardeios russos à Ucrânia e chamou Putin de “inútil”.
Além das ameaças de sanções, Trump também confirmou o envio de uma nova leva de armamentos às tropas ucranianas, revertendo a suspensão anunciada pelo Pentágono no fim de julho. Ele reafirmou que enviará a Kiev mais sistemas antimísseis Patriot, o poderoso “escudo” do Ocidente cujo uso na Ucrânia Putin já disse considerar “uma provocação”. Trump garantiu que “teremos alguns chegando muito em breve, dentro de alguns dias… alguns países que possuem Patriots farão a troca e substituirão os Patriots pelos que já possuem. É um complemento completo com as baterias.” Cada unidade Patriot, o mais avançado sistema de defesa ocidental, custa cerca de US$ 3 milhões.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, expressou satisfação com a postura mais rígida de Trump, mas considerou o ultimato de 50 dias “muito longo” diante da contínua perda de vidas civis, afirmando que “é muito positivo que o presidente Trump esteja adotando uma postura firme contra a Rússia. Por outro lado, 50 dias é um tempo muito longo se considerarmos que estão matando civis inocentes todos os dias“
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