Toni Rodrigues reposiciona o PL na corrida pelo Palácio de Karnak
A confirmação do jornalista Toni Rodrigues como pré-candidato do PL ao Governo do Piauí marca um novo desenho na disputa política estadual. Mais do que uma escolha interna, a decisão do partido reflete um alinhamento direto ao campo bolsonarista e ao discurso de oposição frontal ao PT, estratégia que busca fortalecer a legenda como alternativa clara ao grupo governista.
O anúncio, feito pelo presidente estadual do PL, Tiago Junqueira, também representou um recado: o nome de Toni surge em detrimento do ex-deputado Mainha, que até então era apontado como favorito dentro da sigla. Apesar de manter influência em setores conservadores, Mainha enfrenta resistências devido ao seu histórico de alianças com o PT — algo que pesa contra em um PL que tenta se consolidar como porta-voz de uma oposição sem ambiguidades.
Toni Rodrigues, por sua vez, oferece atributos considerados estratégicos no cenário atual: presença digital, comunicação direta e capacidade de mobilizar eleitores descontentes. Com mais de 73 mil seguidores no Instagram, ele utiliza as redes sociais para criticar de forma contundente as gestões petistas, transformando sua influência digital em ativo político.
O desafio, porém, vai além da mobilização bolsonarista. O partido aposta em fissuras dentro da base do governador Rafael Fonteles (PT), especialmente após a sinalização de que o vice em sua chapa de reeleição deve continuar sendo do próprio PT, deixando de lado o MDB de Themístocles Filho. Essa escolha pode abrir espaço para a oposição atrair setores insatisfeitos.
Do lado governista, Rafael Fonteles segue como favorito, jovem e bem posicionado nas pesquisas, mas terá de administrar as tensões internas. A definição do vice é considerada hoje um dos pontos mais delicados, já que um movimento mal calculado pode gerar atritos que a oposição pretende explorar.
Enquanto isso, outros nomes começam a se movimentar. A ex-vice-governadora Margarete Coelho (Progressistas) articula discretamente seu retorno à cena política, mesmo enfrentando resistências dentro do próprio grupo. Já a professora Lourdes Melo (PCO) mantém sua tradicional candidatura, reafirmando sua persistência como voz alternativa, embora sem perspectivas reais de vitória.
O que se observa é que a eleição de 2026 no Piauí será marcada por disputas de narrativas. O governo tentará sustentar a continuidade, o PL busca firmar-se como oposição de identidade definida e demais forças políticas procuram brechas entre os dois polos.
Com a entrada de Toni Rodrigues, o tabuleiro político ganha novo fôlego. Se ele conseguirá transformar sua influência digital em viabilidade eleitoral, apenas as urnas dirão. O certo é que sua pré-candidatura já altera cálculos e promete uma sucessão estadual repleta de tensões, expectativas e possíveis surpresas.

