Procuradora-geral do MP do Piauí afirma que instituição não dialoga com criminosos e reforça atuação contra o crime organizado
A procuradora-geral de Justiça do Piauí, Cláudia Seabra, afirmou que o Ministério Público do Estado adota uma postura rigorosa e inegociável no enfrentamento à criminalidade, especialmente contra organizações criminosas. Segundo ela, a instituição não mantém qualquer tipo de diálogo ou acordo com criminosos.
“Quero deixar claro para a sociedade piauiense que o Ministério Público não negocia com criminosos. Esse é um princípio básico da nossa atuação”, declarou a procuradora durante entrevista concedida ao Jornal Cidade Verde.
Na conversa, Cláudia Seabra apresentou as principais linhas de atuação do MP do Piauí, que incluem o combate ao crime organizado, o uso de tecnologia e inteligência artificial nas investigações, ações de enfrentamento à violência contra a mulher e o planejamento para a atuação nas eleições de 2026.
Integração no combate às facções criminosas
De acordo com a procuradora-geral, o enfrentamento às organizações criminosas exige integração entre o Ministério Público e as forças de segurança. Ela destacou que ações isoladas não são suficientes para combater estruturas criminosas cada vez mais sofisticadas.
“Não é possível enfrentar o crime organizado sem integração, sem confiança mútua, sem técnica e sem diálogo institucional entre os órgãos de segurança”, afirmou.
Cláudia Seabra ressaltou o fortalecimento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a nomeação de nove novos promotores de Justiça, o que ampliou a presença do MP em diferentes regiões do estado. Em apenas cinco meses de gestão, foram realizadas nove operações conjuntas com forças de segurança do Piauí e de outros estados, com foco no combate ao tráfico interestadual e às facções criminosas.
Ela também alertou para a complexidade crescente dessas organizações, que passaram a atuar em setores empresariais e financeiros. Segundo a procuradora, atingir o núcleo financeiro do crime é essencial para desarticular essas estruturas.
Tecnologia e inteligência artificial nas investigações
Outro ponto destacado foi o investimento em tecnologia da informação. A procuradora informou que mais de 200 membros e servidores do Ministério Público foram capacitados, em um período de três meses, para o uso de ferramentas de inteligência artificial.
Segundo ela, a adoção dessas tecnologias trouxe mais agilidade e precisão às investigações. “Isso nos permitiu uma atuação mais eficiente e estratégica, tanto na área criminal quanto em outras frentes de trabalho do Ministério Público”, explicou.
Crescimento no número de denúncias
Cláudia Seabra apresentou ainda dados que indicam aumento expressivo na atuação judicial da instituição. Entre os anos de 2021 e 2025, o número de denúncias oferecidas pelo MP cresceu 77,65%. Somente entre 2024 e 2025, mais de 15 mil denúncias foram encaminhadas ao Poder Judiciário.
“A denúncia é o momento em que o Ministério Público formaliza a acusação, apresenta as provas e busca a responsabilização dos criminosos, sempre em defesa da sociedade”, pontuou.
Fiscalização das eleições de 2026
Com a aproximação do próximo ano eleitoral, a procuradora-geral destacou que o Ministério Público já está estruturando sua atuação para garantir a lisura do processo democrático. Segundo ela, há planejamento conjunto com a Justiça Eleitoral e o funcionamento do Grupo de Apoio às Promotorias Eleitorais (GAP).
O trabalho terá foco na prevenção e repressão de irregularidades como propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder econômico e uso indevido de tecnologias digitais. Cláudia Seabra ressaltou que o uso de inteligência artificial não é proibido, mas será combatido quando empregado de forma enganosa.
“O que vamos coibir é o uso manipulador dessas ferramentas, especialmente práticas como as deep fakes, que podem comprometer a liberdade do voto”, concluiu.

