Possível classificação de facções brasileiras como terroristas nos EUA gera preocupação no governo e no sistema financeiro
A possibilidade de o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defender a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas tem provocado apreensão no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em setores do mercado financeiro.
A medida, caso adotada em eventual novo mandato, poderia atingir diretamente organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), ampliando o alcance de sanções internacionais e mecanismos de combate ao financiamento do crime.
Especialistas apontam que a eventual classificação teria efeitos além do campo da segurança pública. Instituições financeiras que, mesmo sem conhecimento, realizarem transações ligadas a essas organizações poderiam enfrentar sanções severas por parte dos Estados Unidos, especialmente em operações que envolvam o sistema financeiro internacional e o uso do dólar.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de sanções unilaterais. A legislação norte-americana permite a aplicação de restrições a empresas e bancos estrangeiros, incluindo limitações de acesso ao sistema financeiro dos EUA, o que poderia impactar diretamente instituições brasileiras e encarecer operações no mercado global.
Integrantes do governo avaliam que esse cenário pode elevar o chamado “custo Brasil”, com reflexos na competitividade internacional e no ambiente de negócios. A preocupação envolve desde o aumento de exigências de compliance até eventuais dificuldades em transações internacionais.
No campo diplomático, o tema também tem gerado tensão. Há expectativa de que o assunto seja tratado em encontros bilaterais futuros, em meio a esforços do governo brasileiro para evitar medidas que possam afetar a economia e o sistema financeiro nacional.
Até o momento, não há decisão oficial implementada, e o tema segue no campo das discussões políticas e estratégicas nos Estados Unidos.

