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PF aponta “gestor” de contratos em esquema atribuído a deputado federal do Ceará

Áudios interceptados pela Polícia Federal revelam ligações próximas entre o prefeito de Baixio, Lúcio Alves Barroso, e o prefeito foragido de Choró, conhecido como “Bebeto do Choró”, ambos envolvidos em um esquema investigado pela Operação Underhand. A operação investiga o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) por suposto desvio de recursos de emendas parlamentares para financiar campanhas eleitorais em 51 municípios cearenses nas eleições de 2024.

Segundo os relatórios da PF, Lúcio Alves atua como gestor de contratos públicos utilizados para alimentar financeiramente o grupo criminoso. Contratos de transporte escolar e locação de veículos em cidades da região estão entre os investigados. Diálogos interceptados mostram trocas entre Lúcio e Bebeto sobre pagamentos e repasses realizados, com uma linguagem direta que reforça a habitualidade e regularidade das operações ilícitas.

Em uma das conversas, Bebeto ordena: “manda dinheiro, chefe, que estou precisando”, ao que Lúcio responde que vai providenciar o pagamento por meio de um intermediário chamado Maurício. Para os investigadores, a informalidade e o uso de operadores indicam uma organização estruturada e coordenada para o desvio de recursos públicos.

Além disso, a PF constatou que Júnior Mano e seus assessores atuam em sintonia com prefeitos e outros envolvidos para intermediar repasses de contratos públicos, instruir operadores, adulterar documentos e articular pagamentos a terceiros, inclusive jornalistas. Outra figura investigada é Carlos Douglas Almeida Leandro, empresário com forte atuação em contratos públicos ligados ao grupo.

O esquema, segundo a PF, envolve desvio de recursos federais, estaduais e municipais, bem como crimes eleitorais, com a organização liderada por Bebeto do Choró operando uma complexa rede de cooptação de prefeitos e direcionamento de contratos.

Em um dos diálogos interceptados em setembro de 2024, um assessor do deputado confirma a destinação de emenda parlamentar de R$ 1,5 milhão para o município de Choró, com cobrança de 12% de retorno ilícito, evidenciando a normalização do esquema dentro da equipe parlamentar.

A investigação aponta ainda que empresas ligadas a aliados políticos do deputado receberam contratos em municípios como Nova Russas, onde a prefeita é esposa de Júnior Mano. A PF suspeita de direcionamento e superfaturamento nessas contratações.

Respostas oficiais

O gabinete do deputado Júnior Mano negou qualquer participação em licitações, fiscalização ou ordenação de despesas em prefeituras. O parlamentar afirmou que confia nas instituições e reafirma seu compromisso com a legalidade e transparência, esperando o esclarecimento completo dos fatos.

Até o momento, o prefeito Lúcio Alves Barroso não se manifestou oficialmente sobre as acusações. Em seu perfil institucional, ele destaca seu compromisso com a eficiência administrativa, o planejamento estratégico e a transparência na gestão pública.

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