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Pesquisadores desmontam mitos sobre a aveia e alertam para riscos no consumo excessivo

Uma força-tarefa formada por pesquisadores em nutrição e segurança alimentar divulgou, novos dados que reacendem o debate sobre os efeitos do consumo de aveia no país. O levantamento, conduzido por universidades e laboratórios independentes, aponta que o alimento — amplamente promovido como saudável nas últimas décadas — apresenta pontos críticos que vinham sendo ignorados pelo público.

A “operação científica”, como descrevem os responsáveis pelo estudo, analisou amostras de diferentes marcas comercializadas no Brasil e investigou a origem do discurso que transformou o cereal em símbolo de alimentação equilibrada.

Investigação revela origem do marketing que popularizou o cereal

De acordo com o relatório, pesquisadores mapearam documentos históricos e práticas da indústria alimentícia desde o século XIX. As análises apontam que empresas do setor impulsionaram campanhas de marketing que associaram o consumo de aveia à saúde cardiovascular, mesmo com baixa evidência científica robusta na época.

“Ao reconstituirmos a trajetória comercial da aveia, percebemos que o produto ganhou espaço mais por construção publicitária do que por mérito nutricional comprovado”, afirma a nutricionista funcional Dra. Mariana Coutinho, uma das coordenadoras da investigação.

Laboratórios encontram impurezas e contaminação em parte das amostras

Paralelamente, a equipe realizou testes laboratoriais em unidades adquiridas em supermercados de diferentes estados. As análises identificaram níveis de glifosato — pesticida amplamente utilizado no cultivo de grãos — acima do recomendado em parte das amostras.

Segundo os pesquisadores, o problema não é exclusivo da aveia, mas preocupa pelo consumo cotidiano.
“A presença de resíduos químicos, mesmo em concentrações menores, somada à ultraprocessamento de algumas marcas, exige nova revisão regulatória”, explicou o toxicologista Dr. Alan Ribeiro.

Antinutrientes e impacto metabólico entram no radar

Outro ponto destacado pela força-tarefa é a presença de fitatos e lectinas, substâncias conhecidas como antinutrientes. O estudo indica que, em pessoas sensíveis, elas podem prejudicar a absorção de minerais como ferro, zinco e magnésio.

Além disso, a carga glicêmica do alimento foi reavaliada. Pesquisadores observaram que, para determinados perfis metabólicos, a aveia pode elevar a glicose mais rapidamente do que o esperado.

Especialistas pedem consumo moderado e revisão de políticas de recomendação

Para os coordenadores do relatório, a intenção não é criar um pânico alimentar, mas ajustar “percepções distorcidas” construídas ao longo de décadas.

“O que desmontamos aqui é a cadeia de desinformação que transformou a aveia em um superalimento incontestável”, resume a pesquisadora Dra. Natália Fernandes. “O consumidor merece acesso a informações atualizadas e transparentes.”

O documento final será encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a conselhos de nutrição, que devem avaliar possíveis atualizações nas orientações oficiais ao público.

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