Nova Resolução CNJ/CNMP altera regras de gravação audiovisual em audiências e gera críticas da advocacia
O Conselho Federal da OAB anunciou a aprovação da Resolução Conjunta CNJ/CNMP, que regulamenta a captação e registro audiovisual em audiências, sessões de julgamento e plenários do júri. A norma estabelece novas diretrizes para gravações, mas gerou críticas dentro da advocacia por restringir direitos antes assegurados por lei.
Principais mudanças
Entre as principais determinações, o artigo 5º da resolução estabelece que:
- É proibida a gravação audiovisual por qualquer participante ou presente no ato sem prévia identificação e ciência de todos os presentes;
- Não é permitido gravar imagens ou voz de jurados ou terceiros que não tenham relação com o contexto probatório;
- É obrigatória a gravação integral do ato, vedando registros parciais;
- É expressamente proibida a divulgação das gravações em redes sociais, transmissões online ou aplicativos de mensagem.
Restrição de direitos e críticas
Advogados apontam que a nova regra burocratiza e limita o direito previsto no artigo 367 do Código de Processo Civil, que garante às partes a gravação de audiências sem necessidade de autorização judicial. Segundo críticos, a resolução transforma uma prerrogativa em um processo controlado por barreiras técnicas e burocráticas, tornando seu exercício praticamente inviável.
Para muitos profissionais, sobretudo jovens advogados, a medida limita a visibilidade profissional e dificulta o acesso a ferramentas importantes para o exercício da advocacia. Há ainda críticas sobre a participação da OAB no processo, visto que, segundo opositores, a entidade aceitou restrições impostas por órgãos externos sem ampla discussão com a categoria.
Impacto na publicidade processual
Especialistas alertam que a resolução pode reduzir a transparência dos processos, limitando o direito constitucional à publicidade dos atos processuais. A proibição de divulgação em redes sociais, segundo críticos, pode restringir o acesso público a informações relevantes e dificultar denúncias de abusos.
A decisão abre um novo debate sobre os limites entre publicidade processual, proteção de direitos e autonomia da advocacia, sendo considerada um marco nas regras sobre gravação audiovisual no Judiciário.

