Nicarágua: corpo de opositor Mauricio Petri é entregue à família após 38 dias sob custódia do regime Ortega
O opositor nicaraguense Mauricio Alonso Petri, 64 anos, teve seu corpo entregue à família no último dia 25 de agosto, após permanecer 38 dias desaparecido sob custódia policial. Ele havia sido detido em 18 de julho, junto com a esposa e o filho, em uma operação conduzida pela polícia do regime de Daniel Ortega. A esposa foi liberada no mesmo dia, mas Petri e o filho não tiveram seu paradeiro informado.
Segundo familiares, durante mais de um mês não houve qualquer notícia oficial sobre a situação de Petri, tampouco registros médicos ou judiciais que explicassem sua morte. A versão apresentada pelas autoridades nicaraguenses é de que ele teria sofrido um mal súbito, mas organizações de direitos humanos classificam a explicação como inconsistente e apontam para um possível crime de Estado.
Denúncias de crime contra a humanidade
Entidades internacionais e grupos de exilados nicaraguenses denunciam que o caso de Petri não é isolado, mas faz parte de um padrão de perseguição política contra opositores do regime de Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo.
Segundo as organizações, execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados e prisões arbitrárias têm sido registrados de forma recorrente na Nicarágua, o que pode configurar crimes contra a humanidade.
Contexto político
Daniel Ortega está no poder desde 2007 e enfrenta acusações de repressão sistemática contra jornalistas, líderes religiosos, opositores e movimentos sociais. Críticos afirmam que o regime consolidou uma ditadura familiar, com concentração de poder e eliminação de adversários políticos.
O caso de Mauricio Petri reacendeu o debate internacional sobre a necessidade de maior pressão diplomática contra a Nicarágua, ao mesmo tempo em que expôs novamente as denúncias de violações graves aos direitos humanos no país.

