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Moradores denunciam cobrança irregular em entrega do “Gás do Povo” em Uruçuí

Moradores de Uruçuí, no Sul do Piauí, denunciaram nesta terça-feira (24) a cobrança de valores adicionais para recebimento do botijão por meio do programa “Gás do Povo”, destinado a famílias em situação de vulnerabilidade social. Segundo os relatos, beneficiários estariam sendo obrigados a pagar uma taxa de R$ 43 no momento da entrega do produto.

Um dos denunciantes, que preferiu não se identificar, afirmou que os depósitos conveniados não permitem a retirada direta do botijão, exigindo a entrega domiciliar com cobrança da taxa. De acordo com ele, o valor é solicitado no ato da entrega, sem alternativa para evitar o pagamento.

Ainda conforme o relato, atendentes informam que o governo subsidia parte do custo do gás, cerca de R$ 102, e que o restante deve ser pago pelo consumidor até completar o valor total do botijão, que estaria sendo comercializado por aproximadamente R$ 145 na cidade. A prática contraria a proposta do programa, que prevê a gratuidade do benefício.

Os moradores também apontam diferença nos valores cobrados em outras regiões. Segundo a denúncia, em cidades do Maranhão a taxa adicional seria de cerca de R$ 21, significativamente menor que a registrada em Uruçuí. Há ainda relatos de famílias que enfrentam dificuldades para arcar com a cobrança, incluindo casos em que pessoas precisaram pedir dinheiro emprestado para conseguir receber o gás.

A reportagem teve acesso a um áudio atribuído a um atendente de depósito, no qual é confirmada a cobrança da diferença no valor do botijão. No material, o funcionário afirma que o benefício pode ser acessado por meio do CPF ou de cartões de programas sociais, como o Bolsa Família, mas reforça a necessidade do pagamento complementar.

Também foi obtido um comprovante de pagamento via Pix, realizado na última sexta-feira (21), identificado como sendo de um fornecedor local. Especialistas avaliam que, se confirmada, a cobrança pode ser considerada irregular, já que o programa prevê o fornecimento gratuito do gás. O caso pode ser encaminhado a órgãos de fiscalização, como a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Ministério Público, para apuração.

Procurado, o fornecedor Samia Gás, por meio de seu representante Samuel Lacerda, confirmou que realizou a cobrança da taxa de R$ 43 referente à entrega. No entanto, a empresa informou que a prática foi suspensa após entendimento de que ela é ilegal.

Segundo o posicionamento, o aumento da demanda provocado pelo programa e a dificuldade de manter o fornecimento apenas com o valor subsidiado pelo governo, estimado em cerca de R$ 102,60, levaram à decisão de interromper a participação no “Gás do Povo” em Uruçuí. A empresa também citou o preço mais elevado do botijão na região e limitações operacionais, como a falta de equipe suficiente para atender à demanda, como fatores que contribuíram para a suspensão do credenciamento no programa.

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