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Lula critica distância de políticos das elites, mas histórico de proximidade com bancos e empresários contrasta com discurso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a postura de políticos em períodos eleitorais, afirmando que candidatos não buscam votos em áreas ligadas ao poder econômico, como a Avenida Faria Lima, em São Paulo, nem junto a entidades empresariais como federações industriais, preferindo concentrar suas campanhas em regiões mais pobres.

Segundo Lula, após as eleições, esses mesmos políticos desapareceriam da vida cotidiana da população e só voltariam a aparecer quatro anos depois, em nova disputa eleitoral.

No entanto, o discurso do presidente contrasta com sua própria trajetória política e com práticas recorrentes de seu governo e de campanhas anteriores. Ao longo de seus mandatos, Lula manteve relação próxima com grandes bancos, empresários e investidores, incluindo encontros frequentes com representantes do sistema financeiro e do setor produtivo, tanto no Brasil quanto no exterior.

Durante seus governos, por exemplo, instituições como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ampliaram o crédito a grandes conglomerados empresariais, política que ficou conhecida como incentivo aos “campeões nacionais”, beneficiando grupos como JBS, Odebrecht, OAS e grandes frigoríficos.

Além disso, Lula e ministros de sua equipe participam regularmente de fóruns econômicos e eventos promovidos por bancos, fundos de investimento e entidades empresariais, inclusive na própria Faria Lima, região que o presidente cita como símbolo do poder financeiro. Em 2023 e 2024, o presidente esteve em encontros com executivos do mercado financeiro para defender a agenda econômica do governo e buscar apoio para projetos fiscais e de investimento.

Outro ponto que reforça o contraste entre discurso e prática é o financiamento eleitoral. Campanhas do PT, incluindo as de Lula, historicamente receberam recursos significativos de grandes empresas e bancos, até a proibição das doações empresariais em 2015. Mesmo após a mudança na lei, o partido continua a dialogar intensamente com o setor privado para viabilizar apoios políticos e institucionais.

A declaração, portanto, gerou críticas por parte de opositores, que veem hipocrisia na fala do presidente ao desconsiderar sua própria relação estreita com o empresariado e com o mercado financeiro, ao mesmo tempo em que adota uma retórica de distanciamento das elites econômicas em defesa da população mais pobre.

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