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Lula chega a Nova York em meio a tensão com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega a Nova York neste domingo (21), em um momento considerado crítico para as relações entre Brasil e Estados Unidos. Desde o início do seu segundo mandato, o governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano) impôs sanções ao Brasil e sinalizou novas medidas devido à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF.

Lula desembarca na cidade às 18h45 (horário de Brasília) e participará da abertura da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (23), onde será o primeiro chefe de Estado a discursar. Até quarta-feira (24), ele terá compromissos relacionados ao clima e à defesa da democracia.

Relação bilateral tensa

O diálogo entre os dois países praticamente se inviabilizou desde julho, quando Trump condicionou o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros à suspensão do julgamento de Bolsonaro. Interlocutores do republicano têm se concentrado em aliados do bolsonarismo, como o deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo.

Integrantes do governo brasileiro classificam as ações dos EUA como a pior ofensiva estrangeira contra a democracia brasileira, interpretando-as também como parte de uma estratégia eleitoral da direita para 2026. Recentemente, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que novas sanções devem ser anunciadas nos próximos dias.

Além disso, o governo dos EUA aplicou a Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes, permitindo bloqueio de bens e suspensão de vistos, medida que também afetou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, impedido de acompanhar Lula na ONU.

Agenda de Lula na ONU

Apesar da tensão, o presidente brasileiro seguirá com a agenda internacional. Entre os compromissos previstos:

  • Segunda-feira (22): Participação na conferência sobre a questão palestina e defesa da solução de dois Estados.
  • Terça-feira (23): Discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU e encontro bilateral com o secretário-geral António Guterres. Possível contato rápido com Trump nos bastidores.
  • Quarta-feira (24): Reunião com presidentes da América Latina e Espanha em defesa da democracia, combate ao extremismo e fortalecimento de organismos multilaterais. Participação na Cúpula Virtual sobre Ambição Climática, em preparação para a COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro.

Segundo o Itamaraty, cerca de 30 chefes de Estado e organizações civis solicitaram encontros bilaterais com Lula, embora apenas três sejam viáveis por questões logísticas. O presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, está entre os que tentam uma reunião com o brasileiro.

Posicionamento de Lula

No discurso da Assembleia Geral, Lula deve reforçar temas como democracia, soberania brasileira, combate à fome e defesa de mecanismos multilaterais, sem citar Trump diretamente, evitando aumentar a tensão diplomática. Ele também destacará que o STF agiu de forma independente, sem ceder a pressões externas na condenação de Bolsonaro.

A presença de Lula em Nova York ocorre em um contexto internacional delicado, marcado por conflitos globais e pressões comerciais, tornando a participação brasileira na ONU ainda mais estratégica.

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