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Janja exalta modelo chinês de controle das redes, mas ignora censura e autoritarismo

Em entrevista à Folha de S.Paulo, a primeira-dama Janja Lula da Silva defendeu a regulamentação das redes sociais no Brasil e, de maneira controversa, citou a China como exemplo. Segundo ela, é difícil entender por que há tanta resistência no país a esse debate.

Na China tem toda uma regulamentação. (…) E por que é tão difícil falar disso aqui no Brasil? — questionou Janja, ao comentar sobre os mecanismos de controle impostos por Pequim sobre as plataformas digitais.

A primeira-dama minimizou os argumentos que associam o tema à liberdade de expressão. — Não é uma questão de liberdade de expressão. A gente está falando de vida de crianças e adolescentes. A gente está falando de uma rede social que é usada para disseminar ódio contra as mulheres — disse.

No entanto, ao citar a China como referência, Janja deixou de mencionar que o país asiático adota um regime ditatorial, que utiliza justamente a regulamentação das redes sociais como ferramenta de repressão e censura, restringindo severamente a liberdade de expressão, o acesso à informação e a oposição política.

Críticos apontam que o exemplo dado pela primeira-dama revela uma visão preocupante: transformar uma questão legítima — como o combate à desinformação e à violência digital — em pretexto para ampliar o controle estatal sobre o ambiente virtual, à semelhança de regimes autoritários.

O debate sobre a regulamentação das redes sociais no Brasil segue polarizado, especialmente diante de propostas que, para muitos, abrem brechas perigosas para a limitação da liberdade de expressão sob o pretexto de proteção social.

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