Grupo Fictor entra com pedido de recuperação judicial para reestruturar dívida bilionária
O Grupo Fictor protocolou neste domingo (1º) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo envolvendo as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. A iniciativa ocorre em meio a uma crise de liquidez e tem como objetivo reorganizar passivos que somam cerca de R$ 4 bilhões.
Em nota, a companhia informou que a medida busca garantir o equilíbrio das operações e assegurar o cumprimento das obrigações financeiras. O grupo afirma que pretende quitar integralmente os compromissos assumidos, sem previsão de descontos aos credores.
No pedido apresentado à Justiça, a Fictor também solicitou tutela de urgência para suspender execuções judiciais e bloqueios por um período de 180 dias. Segundo a empresa, a intenção é criar condições para uma negociação estruturada com credores, sem paralisação das atividades.
Durante esse intervalo, o grupo pretende apresentar um plano de recuperação com novas condições e prazos de pagamento, mantendo a continuidade operacional das empresas.
Impacto do caso Banco Master
A Fictor atribui a origem da crise financeira ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Na ocasião, um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado a intenção de adquirir a instituição financeira, operação que acabou sendo interrompida após a decisão da autoridade monetária.
De acordo com o grupo, o episódio provocou forte impacto reputacional e gerou uma sequência de especulações no mercado, o que resultou em um volume elevado de notícias negativas e afetou diretamente a liquidez das empresas.
A companhia afirma ainda que, até então, não havia histórico de inadimplência ou atrasos em seus compromissos financeiros. Como resposta ao cenário adverso, o grupo colocou em prática um plano de reestruturação interna, que incluiu a redução da estrutura física e do quadro de funcionários.

