Fachin apresenta a ministros do STF relatório da PF sobre o Caso Master
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúnem nesta quinta-feira (12) no gabinete da Presidência da Corte para discutir o relatório final da Polícia Federal (PF) sobre as investigações de supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
O encontro, de caráter reservado, será conduzido pelo presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, que deve apresentar aos demais integrantes do tribunal as conclusões da PF e também informações relacionadas à manifestação do ministro Dias Toffoli no caso.
Todos os dez ministros foram convocados para participar da reunião, incluindo André Mendonça e Luiz Fux, que acompanham parte das discussões por videoconferência.
De acordo com a assessoria de comunicação do Supremo, Fachin também comunicou a Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá se pronunciar oficialmente sobre o andamento do caso.
A reunião começou no fim da tarde, teve uma pausa no início da noite e deve ser retomada posteriormente, ainda no gabinete da Presidência.
Nota de Toffoli e questionamentos da PF
O encontro ocorre poucas horas após Dias Toffoli divulgar nota pública negando qualquer recebimento de valores do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, ou de Fabiano Zettel, investigados no esquema.
O ministro também comentou sua participação anterior em uma empresa familiar que, segundo ele, possuía ligação indireta com um grupo empresarial posteriormente adquirido por fundos associados a Zettel.
Ainda na quarta-feira (11), o gabinete de Toffoli afirmou que um eventual pedido de suspeição atribuído à Polícia Federal não teria legitimidade jurídica, já que a corporação não figura como parte formal no processo.
A Polícia Federal, por sua vez, não confirmou oficialmente ter apresentado solicitação de suspeição contra o ministro.
Caso Master no STF
Dias Toffoli é relator de uma das apurações relacionadas ao Banco Master no Supremo, envolvendo principalmente a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
O ministro tem defendido que não há motivo para se declarar impedido de conduzir o processo. Ele já determinou o envio de pelo menos dois desdobramentos da investigação para instâncias inferiores, envolvendo alvos específicos ligados ao caso.
Toffoli afirmou que a eventual transferência do processo principal para a Justiça Federal só deverá ser analisada após a conclusão definitiva das investigações da Polícia Federal, para evitar nulidades processuais e garantir o devido processo legal.
Pressões e repercussão política
O caso também tem gerado movimentação nos bastidores de Brasília. Integrantes do meio político e representantes ligados ao Banco Master estariam pressionando pela saída de Toffoli da relatoria.
O ministro, no entanto, sustenta que pretende manter a condução do processo e defende que a investigação possa resultar em medidas estruturantes para reforçar a segurança do sistema financeiro e aprimorar mecanismos regulatórios.
O Caso Master segue em uma fase decisiva, com expectativa de novos encaminhamentos a partir da análise do STF e da manifestação da Procuradoria-Geral da República.

