EUA avançam em estratégia global por terras raras e avaliam potencial do Brasil
O governo dos Estados Unidos iniciou um movimento para reorganizar o mercado internacional de terras raras e reduzir a dependência da China nesses insumos estratégicos. Como parte da estratégia, Washington passou a analisar reservas existentes no Brasil e a discutir possíveis parcerias com aliados, enquanto o governo brasileiro avalia o peso político e econômico do tema.
Autoridades americanas convocaram representantes de cerca de 20 países para uma reunião em Washington voltada à coordenação de políticas comerciais sobre terras raras. A iniciativa prevê a criação de um mecanismo de preço mínimo para importação desses minerais e pode abrir espaço para a adoção de tarifas, com o objetivo de proteger produtores e refinarias fora do controle chinês.
O encontro é conduzido pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e reúne países do G7, além de economias como Coreia do Sul, Austrália, Índia e outros grandes consumidores. O Brasil foi convidado, mas ainda não confirmou participação. A Argentina também aparece como possível integrante das discussões.
A movimentação americana ocorre em resposta à queda acentuada dos preços internacionais praticados pela China e às restrições impostas por Pequim às exportações no último ano, medidas que afetaram o abastecimento global. Com a definição de um preço mínimo, os Estados Unidos buscam limitar a influência chinesa na formação de valores e garantir previsibilidade ao mercado.
Paralelamente, Washington intensificou o mapeamento de áreas consideradas estratégicas no Brasil. Diante de entraves no diálogo com autoridades federais, especialmente na área de energia e mineração, representantes americanos ampliaram contatos com governos estaduais, como os de Minas Gerais e Goiás, além de agentes do setor produtivo.
A Casa Branca passou a tratar o tema das terras raras como questão ligada à segurança nacional e orientou órgãos de inteligência a identificar recursos considerados vitais na América Latina.
No Brasil, a avaliação é de que o assunto deve ganhar espaço na agenda bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, prevista para os próximos meses. A estratégia do governo brasileiro é tratar as reservas de terras raras como ativo estratégico de longo prazo, evitando compromissos antecipados em negociações diplomáticas mais amplas.

