Estudo canadense aponta que não há consumo seguro de álcool para a saúde do cérebro
Um relatório oficial divulgado no Canadá provocou uma mudança significativa na forma como o consumo de álcool é avaliado pela ciência e pelas autoridades de saúde. Publicado em 2023, o documento Canada’s Guidance on Alcohol and Health, elaborado pelo Canadian Centre on Substance Use and Addiction (CCSA) a pedido do Health Canada, conclui que o consumo de álcool está associado a riscos à saúde mesmo em pequenas quantidades.
Segundo o relatório, quanto menor o consumo, menor o risco, e, do ponto de vista da saúde — especialmente da saúde cerebral — o nível de menor risco é a abstinência total. A nova diretriz substituiu orientações anteriores que ainda mencionavam a possibilidade de consumo “moderado”, abandonando o conceito de uma dose considerada segura.
De acordo com o CCSA, a mudança ocorreu após a análise de centenas de estudos científicos internacionais que demonstram que não existe um limite de ingestão de álcool isento de riscos, já que mesmo quantidades reduzidas podem contribuir para danos ao organismo ao longo do tempo.
Impactos do álcool no cérebro
O relatório destaca que o consumo de álcool está associado a diversos efeitos negativos sobre o sistema nervoso central. Entre os principais pontos apontados estão a redução do volume cerebral, processos de inflamação crônica, além de prejuízos cognitivos que afetam funções como memória, atenção e velocidade de processamento das informações.
Os pesquisadores também identificaram uma relação entre o consumo de álcool e o aumento do risco de demência, incluindo a doença de Alzheimer. A partir dessas evidências, o documento conclui que não há um patamar de consumo que possa ser considerado seguro para o cérebro humano.
Com isso, as novas diretrizes canadenses passam a adotar uma abordagem baseada em níveis de risco, reforçando que, do ponto de vista da saúde pública, zero consumo de álcool representa a opção mais segura.

