Emendas para 300 casas em Roraima resultam em apenas uma construção; caso envolve ministro do TCU e senador
Um projeto habitacional em Roraima financiado com recursos federais terminou praticamente sem sair do papel. Emendas parlamentares destinadas à construção de 300 casas populares no município de Iracema, no interior do estado, resultaram na edificação de apenas uma unidade, que hoje está abandonada e sem moradores.
Os recursos foram indicados pelo atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, à época deputado federal, e por seu pai, o senador Mecias de Jesus (Republicanos). O valor total das emendas ultrapassa R$ 13 milhões, liberados para viabilizar o conjunto habitacional voltado a famílias de baixa renda.
Mais de um ano após a liberação do dinheiro, o terreno destinado ao projeto permanece tomado pelo mato, sem infraestrutura básica e sem sinais de continuidade das obras. A única casa construída fica às margens da BR-174 e apresenta sinais de deterioração, indicando abandono.
Projeto não avançou
A iniciativa foi anunciada como uma ação para reduzir o déficit habitacional no município, mas não chegou a se concretizar. O prazo inicial para execução do projeto venceu sem que as construções fossem iniciadas de forma efetiva.
A prefeitura de Iracema, responsável pela execução das obras e pela prestação de contas dos recursos, informou que parte do valor foi utilizada na elaboração de projetos técnicos e em etapas preparatórias. No entanto, não há cronograma definido para a retomada ou conclusão das casas prometidas.
Responsabilidades e questionamentos
Os parlamentares envolvidos afirmam que a indicação das emendas seguiu os trâmites legais e que a responsabilidade pela aplicação dos recursos é do município. Já a situação do empreendimento levanta questionamentos sobre fiscalização, acompanhamento das obras e efetividade do uso de emendas parlamentares em projetos sociais.
O caso se soma a outros exemplos de obras inacabadas ou paralisadas financiadas com recursos públicos, especialmente em regiões que enfrentam dificuldades estruturais e alta demanda por moradia.
Até o momento, não há informações oficiais sobre eventual devolução de recursos, responsabilização administrativa ou previsão para que o projeto habitacional seja retomado.

