Dono da Jack Joias é denunciado por receptação de joias roubadas em Teresina
O Ministério Público do Piauí denunciou o empresário Wellington Francisco Pereira da Silva, de 38 anos, proprietário da loja Jack Joias, localizada no Diamond Center, em Teresina, pelo crime de receptação qualificada. A denúncia foi apresentada no dia 20 de agosto pela promotora Francineide de Sousa Silva.
De acordo com a acusação, Wellington comercializou joias avaliadas em cerca de R$ 950 mil, furtadas do estabelecimento Dindathe Espaço Luxe, pertencente à empresária Michella Ferreira da Silva, após um arrombamento ocorrido em 7 de maio de 2024, no Centro da capital.
A investigação teve início após a vítima identificar, em anúncios no perfil da loja Jack Joias no Instagram (@jack_joias), peças idênticas às que haviam sido levadas. A partir da denúncia, a Delegacia Especializada de Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo (DECCOTERC), em parceria com a Secretaria da Fazenda do Piauí (Sefaz-PI), deflagrou uma operação no dia 15 de maio, que resultou na apreensão de quatro joias furtadas: dois anéis, um terço e uma peça cravejada.
Durante a abordagem, Wellington e sua esposa, Jackeline Oliveira Soares Silva, também proprietária da loja, não apresentaram notas fiscais que comprovassem a origem das peças. Apesar de negarem envolvimento, documentos fiscais, depoimentos, registros de estoque e prints de publicações nas redes sociais foram anexados ao inquérito, comprovando a materialidade do crime, segundo o MP.
A promotoria pede que Wellington seja processado com base no artigo 180, §1º, do Código Penal, que prevê pena de três a oito anos de reclusão, além de multa. Também foi solicitado o pagamento de, no mínimo, dez salários-mínimos a título de reparação de danos. Caso a denúncia seja aceita, o empresário será citado para apresentar defesa em até dez dias.
Esposa pode fazer acordo
Quanto à participação de Jackeline Silva, a promotora pediu o desmembramento do processo para permitir a negociação de um Acordo de Não Persecução Penal.
Indiciamento
Ambos haviam sido indiciados em 26 de maio pela delegada Marcela Sampaio, da DECCOTERC, que destacou a ausência de comprovação fiscal e o reconhecimento direto das peças pelas vítimas.
Operação Ouro Sujo
O caso também levou à prisão de Wellington em 3 de setembro, durante a Operação Ouro Sujo, deflagrada pela Superintendência de Operações Integradas contra crimes de receptação de joias. No cumprimento de mandado de busca em sua residência, policiais encontraram munições e carregador de arma de fogo, o que resultou em prisão em flagrante.
Defesa
Em depoimento, Wellington afirmou que as joias haviam sido confeccionadas por ele, mas não apresentou provas. Jackeline alegou que as peças eram tendências de mercado e não exclusivas, argumento que foi descartado pelas autoridades diante das evidências reunidas.

