Documentos revelam articulação de ex-ministro para incluir banco investigado em programa habitacional
Documentos obtidos por órgãos de imprensa mostram que o ex-ministro do Esporte durante o governo Dilma Rousseff, Ricardo Leyser Gonçalves, atuou para defender a participação do Banco Master em uma das principais políticas habitacionais do país. A iniciativa, se levada adiante, poderia transferir à instituição privada a gestão de recursos públicos bilionários destinados à área.
Os registros apontam que Leyser enviou ao Ministério das Cidades um ofício com 16 páginas no qual sustentava a inclusão do Banco Master como executor do programa, com autonomia administrativa e financeira, sem vinculação à Caixa Econômica Federal, tradicional responsável pela condução das políticas habitacionais federais.
No documento, o ex-ministro argumentava que a atuação de um banco privado traria mais agilidade e flexibilidade, especialmente para atender municípios de pequeno porte. A proposta previa que a instituição recebesse diretamente recursos da União e contratasse construtoras para a execução de obras habitacionais em cerca de cinco mil cidades com população de até 80 mil habitantes.
À época, Leyser afirmou que o Banco Master apresentava situação financeira sólida. No entanto, meses depois, a instituição passou a ser alvo de investigações envolvendo uma fraude estimada em R$ 12,7 bilhões, o que lançou novas dúvidas sobre as articulações feitas anteriormente.
O Ministério das Cidades confirmou que houve reuniões e tratativas relacionadas ao modelo defendido pelo ex-ministro, mas informou que a proposta não avançou. Segundo a pasta, a iniciativa esbarrou na falta de regulamentação específica e na inexistência de previsão orçamentária para viabilizar a mudança.
O episódio acrescenta um novo elemento político às investigações que cercam o Banco Master, levantando questionamentos sobre tentativas de ampliar a participação da instituição em programas estratégicos do governo federal antes da revelação das irregularidades financeiras.

