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Documentos da Receita apontam repasses milionários do Banco Master a políticos e consultorias

Documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado revelam que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, declarou pagamentos de dezenas de milhões de reais a escritórios de advocacia e empresas de consultoria vinculados a figuras influentes da política brasileira, de diferentes partidos e correntes ideológicas.

Entre os nomes citados está o ex-presidente Michel Temer (MDB). Segundo os dados declarados pelo banco, seu escritório de advocacia teria recebido R$ 10 milhões em 2025. Temer afirmou que prestou serviços de mediação em negociações envolvendo a possível venda do Banco Master ao BRB e confirmou o recebimento de R$ 7,5 milhões, divididos em dois pagamentos. O ex-presidente contesta o valor total informado à Receita.

Também aparece na lista o escritório Lewandowski Advocacia, ligado à família de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça. De acordo com os documentos, foram pagos ao menos R$ 6,1 milhões a partir de novembro de 2023. O senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou ter indicado Lewandowski como consultor jurídico ao banco.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega também é citado. Sua empresa, Pollaris Consultoria, teria recebido cerca de R$ 14 milhões entre 2024 e 2025. Já o também ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles aparece com repasses que somam aproximadamente R$ 18,5 milhões no período.

Outro destaque envolve empresas ligadas à família do apresentador Ratinho e do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Segundo as informações, os repasses chegam a cerca de R$ 24 milhões entre 2022 e 2025, sendo a maior parte destinada à Massa Intermediação.

O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, também aparece com dois escritórios que teriam recebido cerca de R$ 6,4 milhões desde 2023. Outros nomes citados incluem ACM Neto (União Brasil) e Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação no governo Jair Bolsonaro.

De acordo com os documentos enviados à CPI, o total de pagamentos declarados pelo Banco Master a esses escritórios e consultorias chega a aproximadamente R$ 65 milhões entre 2023 e 2025. O caso ganhou repercussão por envolver integrantes de diferentes esferas de poder — Judiciário, Executivo e Legislativo — e por atingir nomes ligados a partidos como MDB, PT, União Brasil e PSD.

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