CPMI do INSS aprova quebra de sigilos de dirigentes de sindicato ligado a irmão de Lula
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, nesta quinta-feira (9), a quebra dos sigilos bancário e fiscal de dirigentes do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi). Entre os vice-presidentes da entidade está José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — que, no entanto, não é investigado no caso.
A medida ocorre após o Sindnapi ser alvo de uma nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema de fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. De acordo com as apurações, o grupo teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Foram atingidos pela quebra de sigilo o presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza Filho, sua esposa, Daugliesi Giacomasi Souza, e o ex-presidente João Batista Inocentini, falecido em 2023. A CPMI também solicitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) relatórios sobre movimentações financeiras dos investigados.
Dados da Dataprev indicam que o Sindnapi movimentou R$ 507,5 milhões entre 2020 e 2025, sendo a terceira entidade que mais recebeu repasses associativos descontados diretamente da folha de pagamento de aposentados e pensionistas.
Em nota, a defesa do sindicato negou qualquer irregularidade e afirmou que comprovará “a lisura e legalidade de sua atuação”.
Durante o depoimento prestado nesta quinta-feira à CPMI, o presidente do Sindnapi, Milton Souza Filho, optou por ficar em silêncio, amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão gerou críticas do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que classificou o silêncio como um “desrespeito aos aposentados brasileiros”.

