Caso Master amplia repercussão política e entra em nova fase no STF
O chamado Caso Master, que inicialmente era tratado como uma crise restrita ao mercado financeiro, passou a envolver agentes políticos e estruturas estaduais, ampliando o alcance do debate em Brasília e intensificando a disputa de narrativas em torno das investigações.
Apurações e informações recentes apontam que decisões de investimento tomadas por bancos públicos e fundos de previdência estaduais direcionaram bilhões de reais para ativos vinculados ao Banco Master. Com isso, o foco do caso deixou de se concentrar apenas no governo federal — como parte da oposição tentava associar — e passou a atingir gestões estaduais e articulações no Congresso Nacional.
No Distrito Federal, a gestão do Banco de Brasília (BRB) durante o governo de Ibaneis Rocha autorizou aportes estimados em cerca de R$ 12 bilhões em ativos considerados de maior risco ligados à instituição financeira.
No Rio de Janeiro, a previdência estadual teria aplicado aproximadamente R$ 1 bilhão em operações associadas ao banco durante a administração do governador Cláudio Castro.
No Amapá, o nome do senador Davi Alcolumbre aparece no contexto da indicação de Jocildo Silva Lemos para comandar o fundo previdenciário estadual. O fundo realizou investimentos em torno de R$ 400 milhões no Banco Master. Lemos também atuou como tesoureiro da campanha de Alcolumbre em 2022.
Articulações no Congresso
No Congresso Nacional, o senador Ciro Nogueira articulou uma proposta que ficou conhecida como “Emenda Master”, sugerindo elevar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por investidor. A medida poderia ampliar a proteção a aplicadores expostos ao banco.
O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também é citado nos bastidores como interlocutor político ligado ao tema. Além disso, há referências a doações que teriam beneficiado campanhas eleitorais, incluindo a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Nova etapa no Supremo
No campo institucional, o caso entrou em uma nova fase no Supremo Tribunal Federal (STF). Após questionamentos envolvendo a atuação do então relator, Dias Toffoli deixou a condução do processo. A relatoria foi redistribuída ao ministro André Mendonça, o que pode redefinir o ritmo e a abrangência das próximas decisões.
O desfecho do Caso Master dependerá agora não apenas da análise técnica sobre eventuais responsabilidades financeiras, mas também da capacidade das instituições de manter o foco jurídico diante do embate político que se consolidou em torno do episódio.

