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Barroso diz que extremismo será “empurrado para a margem da história”

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Roberto Barroso, afirmou nesta segunda-feira (1º) que, em breve, o extremismo será relegado à margem da história. Segundo ele, a democracia comporta divergências entre conservadores, liberais e progressistas, mas não admite intolerância.

As declarações foram feitas na véspera do julgamento da ação penal referente à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro, que tem entre os réus o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“De modo que a única coisa que me preocupa é o extremismo, não as visões diferentes do mundo. E acho que em breve nós vamos empurrar o extremismo para a margem da história. E o que nós vamos ter é uma política em que estão presentes conservadores, liberais, progressistas, como a vida deve ser”, disse Barroso.

O ministro falou à imprensa durante o lançamento do livro “Tributação, Liberdade e Igualdade: As Contribuições do Ministro Luís Roberto Barroso”, realizado na sede da Procuradoria Geral do Estado, no Rio de Janeiro.

Tensão natural no julgamento

Barroso ressaltou que o julgamento traz “tensões naturais”, já que nenhum país julga a invasão das sedes dos Três Poderes sem enfrentar pressões.

“O anormal seria que não houvesse tensão, mas uma tensão absorvida institucionalmente, de modo que a vida democrática fluiu com naturalidade ao longo desse período”, afirmou.

O presidente do STF destacou que não participa do julgamento, pois, na presidência da Corte, não integra a 1ª Turma, composta pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A partir de setembro, a presidência do Supremo será assumida pelo ministro Edson Fachin, e Barroso retornará à 2ª Turma.

Independência da Corte

Questionado sobre pressões externas ou possíveis retaliações, Barroso reafirmou o papel institucional do Judiciário:

“O papel do Judiciário é julgar os casos que lhe são apresentados. O julgamento precisa ser feito com absoluta serenidade, mas cumprindo o que diz a Constituição e o que diz a legislação […] Sem interferências, venham de onde vierem.”

O ministro reforçou que a democracia brasileira precisa lidar com divergências políticas, mas sempre preservando a tolerância e o respeito às instituições.

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