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Advogados e ex-assessora são transferidos para presídios após audiência em Teresina

Os advogados Juarez Chaves Júnior e Flávio Martins, junto com a ex-assessora do governo Lucile Moura, foram transferidos para unidades prisionais após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (22), em Teresina, decorrente de uma operação da Diretoria Especializada em Operações Policiais (DEOP).

Após a audiência, Juarez Chaves e Flávio Martins foram encaminhados para a Penitenciária Humberto Reis, em Altos, enquanto Lucile Moura seguiu para a Penitenciária Feminina de Teresina.

Segundo o inquérito conduzido pelo delegado Tales Gomes, diretor da DEOP, os três são investigados por associação criminosa, calúnia majorada, denunciação caluniosa e coação no curso do processo. Eles são suspeitos de produzir dossiês falsos para intimidar desembargadores do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) em processos relacionados à área agrária.

As prisões foram autorizadas pelo juiz Caio Cézar de Carvalho Araújo, da Central de Inquérito de Teresina, que também determinou buscas e apreensões em endereços ligados aos investigados e fixou a prisão temporária por cinco dias.

Investigação

O inquérito aponta que Flávio Martins teria apresentado uma notícia-crime contra desembargadores do TJ-PI um dia antes de julgamentos de questões imobiliárias, ação interpretada como tentativa de intimidação. As notícias-crimes foram consideradas falsas.

Lucile Moura é apontada como fornecedora do material usado no dossiê, enquanto Juarez Chaves teria divulgado o conteúdo. Os advogados teriam interesse no andamento de processos de posse de terras. Lucile nega envolvimento com a produção dos documentos.

Juarez Chaves Júnior é alvo de outros inquéritos em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e Lucile Moura responde a diversas ações judiciais, incluindo improbidade administrativa. O juiz destacou que Lucile “tem poder de influência sobre outros setores do Estado, tendo exercido o cargo de assessora especial do governo até poucos dias”.

Defesa

Lucile Moura, exonerada em 1º de outubro, divulgou nota afirmando ter sido “equivocadamente associada a um processo que visava coagir desembargadores do TJ-PI” e negou qualquer envolvimento ilícito. Ela admitiu ter compartilhado “inadvertidamente um arquivo PDF com supostas denúncias” em grupos de WhatsApp, sem intenção criminosa, e reforçou seu respeito ao TJ-PI e à Justiça.

A defesa do advogado Flávio Martins, representada por Eduardo Faustino, ainda não se posicionou publicamente.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Piauí informou que acompanha a operação para garantir as prerrogativas dos advogados investigados.

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