China investe em terras e empresas no Brasil para garantir segurança alimentar futura
A China intensifica desde os anos 2000 a compra de terras e empresas no Brasil como parte de uma estratégia de longo prazo para assegurar o abastecimento de soja e milho. Com apenas 7% de área agricultável em seu território, o país asiático busca reduzir vulnerabilidades internas e garantir insumos essenciais para sua produção de carnes e ração animal.
Estratégia e motivação
O movimento combina três fatores principais:
- Crescente demanda interna por proteínas devido ao aumento de renda;
- Escassez de terras agricultáveis no país;
- Prioridade estatal em controlar toda a cadeia produtiva, da produção ao escoamento.
Por isso, além de adquirir terras, a China investe em logística portuária, armazenagem, ferrovias e tecnologia agrícola, buscando reduzir custos e garantir regularidade nos embarques.
Marco histórico da presença chinesa
Nos anos 2000, planos oficiais já destacavam a necessidade de segurança alimentar, com destaque para o mapeamento de áreas brasileiras para cultivo de soja.
Com a crise global de 2008, o fluxo de investimentos chineses aumentou. Na década de 2010, o foco evoluiu de comércio para controle operacional em empresas agrícolas e de infraestrutura. Nos anos 2020, o movimento se consolidou com novos acordos e investimentos diretos em agro e logística.
Como funciona a estratégia
A China evita fricções legais e prefere comprar participações em empresas brasileiras que já detêm ativos rurais, infraestrutura e operações logísticas. Essa integração garante acesso à produção, armazenamento e processamento. O objetivo é encurtar prazos, reduzir custos e manter previsibilidade nos embarques.
Principais áreas de atuação
Os investimentos se concentram em regiões estratégicas do Centro-Oeste e Matopiba, além de hubs portuários cruciais para a exportação. Estatais e conglomerados chineses lideram os investimentos, muitas vezes em parceria com empresas brasileiras, combinando capital, know-how local e licenças.
Controvérsias e desafios
O avanço desses investimentos levanta debates sobre soberania nacional, regulação e concentração fundiária. Críticos alertam para riscos de controle externo sobre decisões produtivas e destino das safras. Defensores argumentam que traz benefícios como aumento de produtividade, tecnologia e capacidade exportadora.
Além disso, a legislação brasileira restringe compras diretas de terras por estrangeiros, mas brechas permitem controle indireto via participação societária, o que exige fiscalização rigorosa.
Perspectivas
A presença chinesa no Brasil segue crescendo, integrando produção agrícola, logística e tecnologia. Para o Brasil, o desafio será equilibrar atração de investimento externo com proteção da soberania, diversificação de mercados e fortalecimento da governança do setor agrícola.
O próximo ciclo dependerá de regras claras, fiscalização eficiente e estratégia comercial capaz de combinar capital externo com interesses nacionais.

