Centro-direita vence eleições legislativas em Portugal; AD lidera com 86 cadeiras
A coligação de centro-direita Aliança Democrática (AD), liderada por Luís Montenegro, venceu as eleições legislativas em Portugal neste domingo (18). A AD, formada pelo PSD (Partido Social Democrata) e pelo CDS-PP (Centro Democrático Social–Partido Popular), conquistou 86 das 230 cadeiras da Assembleia da República.
O segundo lugar ainda está indefinido. Até o momento, o PS (Partido Socialista), de centro-esquerda, e o Chega, de direita, aparecem empatados com 58 deputados cada. Os dados são da SGMAI (Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna). Restam ser apurados os votos dos círculos eleitorais da Europa e de fora da Europa, que elegerão 4 parlamentares — representando os portugueses residentes no exterior.
A eleição deste domingo confirmou o avanço da direita e a retração dos partidos mais à esquerda, tendência observada desde o pleito de 2022.
Perdas e ganhos no novo Parlamento
O PS, liderado por Pedro Nuno Santos, perdeu 19 assentos em relação à eleição anterior. Já o Chega, de André Ventura, cresceu e somou 10 novas cadeiras. A Iniciativa Liberal (IL), comandada por Rui Rocha, também teve leve avanço: foi de 8 para 9 deputados.
Entre os partidos à esquerda, o Bloco de Esquerda, de Mariana Mortágua, encolheu de 5 para 1 cadeira. A CDU (Coligação Democrática Unitária), que reúne PCP e PEV, e é liderada por Paulo Raimundo, ficou com 3 cadeiras — uma a menos que em 2024.
O Livre, de Rui Tavares, subiu de 4 para 6 cadeiras, enquanto o PAN (Pessoas, Animais e Natureza) manteve sua única representante, Inês Sousa Real.
Governo deve ser formado em minoria
Apesar da vitória, a AD ficou abaixo da maioria absoluta de 116 cadeiras. Mesmo com o apoio da IL, a coligação não teria força suficiente para governar sem acordos pontuais. Um entendimento com o Chega não é dado como certo, o que indica que Montenegro poderá liderar um governo minoritário, negociando caso a caso no Parlamento.
O presidente Marcelo Rebelo de Sousa deverá iniciar nos próximos dias a rodada de consultas com os partidos para nomear o próximo primeiro-ministro — tradição do regime semipresidencialista português.
Votação superou expectativa
Esta foi a terceira eleição legislativa em pouco mais de três anos. A participação dos eleitores superou a de 2024: subiu de 59,84% para 64,38%, contrariando previsões de desgaste com a repetição de eleições desde 2022. Em Portugal, o voto não é obrigatório.
Crise da Spinumviva levou à queda do governo
As eleições antecipadas foram convocadas após a rejeição de uma moção de confiança ao governo de Luís Montenegro, em março. A crise teve origem em denúncias envolvendo a Spinumviva, empresa da família do primeiro-ministro.
Reportagens apontaram possíveis conflitos de interesse entre a consultoria — fundada por Montenegro em 2021 — e contratos com empresas com vínculos com o Estado, como o grupo Solverde, operador de cassinos.
Montenegro negou irregularidades e afirmou que transferiu sua participação na empresa à esposa ao assumir o comando do PSD. Posteriormente, a gestão da empresa passou aos filhos do casal. “Não pratiquei nenhum crime, nem tive nenhuma falha ética”, declarou em pronunciamento no início de março.
Imigração dominou debate eleitoral
Além da crise política, o tema da imigração dominou a curta campanha eleitoral. O Chega fez da pauta anti-imigração seu principal foco, influenciando até mesmo os discursos de PSD e PS, que adotaram tom mais duro em relação ao tema.
Montenegro chegou a anunciar a expulsão de imigrantes irregulares, medida criticada por adversários como eleitoreira. Pedro Nuno Santos também endossou críticas ao regime de “manifestação de interesse”, criado pelo próprio PS em 2017 e extinto sob o governo atual.
De acordo com a AIMA (Agência para a Integração, Migração e Asilo), o número de imigrantes regulares em Portugal superou 1,5 milhão no segundo semestre de 2024. Apesar das críticas, os estrangeiros têm papel fundamental na economia: só em 2024, contribuíram com 3,64 bilhões de euros para a Segurança Social — sendo 36,7% desse total oriundos de brasileiros.

