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Câmara aprova projeto que altera regras de penas e pode beneficiar Bolsonaro

A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira (10), o projeto que muda critérios de cálculo e cumprimento de penas para condenados por crimes graves — texto que vem sendo chamado de “PL da Dosimetria”. A proposta segue agora para o Senado, onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já sinalizou intenção de analisar o tema ainda em 2025.

O que muda com o projeto

O PL redefine parâmetros usados na dosimetria das penas e estabelece percentuais mínimos de cumprimento para progressão de regime. Uma das inovações é a garantia de que a remição — redução de pena por trabalho ou estudo — pode ser aplicada mesmo em casos de prisão domiciliar, ponto incluído pelo relator para evitar disputas judiciais futuras.

Entre os pontos mais sensíveis, o texto determina que condenados por comandar, individualmente ou em grupo, organizações criminosas dedicadas a crimes hediondos devem cumprir no mínimo 50% da pena antes de solicitar benefícios. Esse trecho pode impactar diretamente a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses por envolvimento nos atos antidemocráticos do 8 de janeiro, decisão que pesou o agravante de liderança de organização criminosa.

Como foi a votação

A matéria foi aprovada por 291 votos a favor e 148 contra. A decisão veio horas depois de o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar de surpresa a entrada do projeto na pauta, movimento que gerou desconforto no governo.

Motta afirmou que a proposta ocupou boa parte dos debates da Casa ao longo do ano e que era natural encerrar 2025 com uma decisão do plenário. Segundo ele, a votação só ocorreu após o Supremo concluir julgamentos relacionados ao 8 de Janeiro, requisito que, na visão de deputados, seria essencial antes de qualquer revisão das penas.

Reações no governo e nos bastidores

A articulação para votar o texto pegou o Planalto desprevenido. Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relataram surpresa e criticaram a falta de aviso prévio por parte de Motta — mesmo após ele ter se reunido com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, no dia anterior.

Parlamentares da base governista reclamaram publicamente da inclusão abrupta da matéria, enquanto líderes do PL celebraram o acordo que garantiu a votação sem apresentação de destaques. Para o partido de Bolsonaro, o texto representa “um primeiro passo” rumo a uma proposta mais ampla de anistia.

De onde veio o projeto

A discussão sobre mudanças nas penas ganhou força após a Câmara aprovar, em setembro, o regime de urgência para um projeto de anistia apresentado por Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). A relatoria acabou nas mãos de Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que passou semanas buscando uma alternativa capaz de reunir maioria — tarefa complicada diante de divergências tanto na base governista quanto entre aliados de Bolsonaro, que defendiam anistia total e irrestrita.

O acordo fechado nesta terça-feira destravou a votação e abriu caminho para a análise no Senado, onde o debate deve seguir intenso.

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