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Estudo estima 19,5 mil mortes adicionais no Brasil associadas ao Super El Niño até março de 2027

O possível avanço de um episódio intenso de El Niño pode aumentar os riscos à saúde da população brasileira nos próximos meses. Uma estimativa do Climate Impact Lab, grupo de pesquisadores ligado à Universidade de Chicago, projeta cerca de 19,5 mil mortes adicionais no Brasil associadas aos efeitos do fenômeno climático até março de 2027. O cálculo apresenta uma margem de variação de 3 mil óbitos para mais ou para menos.

A projeção integra um levantamento global que estima 857,4 mil mortes adicionais relacionadas aos efeitos das temperaturas elevadas em diferentes regiões do planeta. Desse total, aproximadamente 484,5 mil teriam ocorrido entre junho e setembro de 2026, enquanto outras 372,9 mil são previstas para os seis meses seguintes.

Os números representam estimativas estatísticas, e não uma contagem confirmada de mortes causadas exclusivamente pelo El Niño.

Brasil está entre os países com maior número de mortes estimadas

Na projeção internacional, o Brasil aparece entre os países com maior número estimado de mortes adicionais. A Nigéria lidera a lista, com 56,1 mil óbitos, seguida pela Índia, com 55,2 mil, e pela Indonésia, com 29,3 mil. O Brasil aparece na quarta posição, com 19,5 mil mortes projetadas.

Confira os números estimados para os países com maiores registros:

  • Nigéria: 56.100 mortes, com margem de variação de 7.100;
  • Índia: 55.200 mortes, com margem de variação de 10.900;
  • Indonésia: 29.300 mortes, com margem de variação de 4.700;
  • Brasil: 19.500 mortes, com margem de variação de 3.000;
  • Sudão: 14.700 mortes, com margem de variação de 1.800.

As estimativas consideram os impactos associados ao aumento das temperaturas e outros fatores relacionados ao fenômeno climático. Os resultados, portanto, devem ser interpretados como projeções, e não como uma previsão exata do número de vítimas.

Pará, Maranhão e Amazonas concentram as maiores estimativas no Brasil

Entre os estados brasileiros, o Pará apresenta a maior projeção de mortes adicionais, com aproximadamente 3.800 óbitos. Na sequência aparecem Maranhão, com 2.800, Amazonas, com 2.200, e Bahia, com 2.100.

Os números fazem parte do acumulado estimado para o período de incidência considerado no levantamento. As projeções indicam que estados das regiões Norte e Nordeste podem enfrentar riscos importantes diante das alterações de temperatura e dos efeitos climáticos associados ao El Niño.

Fenômeno pode estar entre os mais intensos já registrados

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou para a possibilidade de o atual episódio de El Niño alcançar intensidade excepcional. A expectativa apresentada nas projeções é que o fenômeno atinja seu pico ainda em 2026 e persista pelo menos até fevereiro de 2027.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Esse processo altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de temperatura e precipitação em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os efeitos podem variar conforme a região. Entre os cenários associados ao fenômeno estão o aumento das chuvas no Sul e a ocorrência de períodos mais secos no Norte e no Nordeste. A intensidade desses impactos depende da evolução do evento e da interação com outros fatores climáticos.

Ondas de calor elevam os riscos à saúde

As temperaturas elevadas podem provocar desidratação, exaustão térmica e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Crianças, idosos, pessoas com doenças preexistentes e trabalhadores expostos ao sol estão entre os grupos que podem enfrentar riscos maiores durante períodos de calor intenso.

As ondas de calor também podem afetar a produção agrícola, o abastecimento de água e a segurança alimentar, ampliando os impactos sobre populações em situação de vulnerabilidade.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. A temperatura, a umidade e a disponibilidade de água parada podem influenciar o ciclo de reprodução do mosquito, embora a ocorrência de surtos também dependa de outros fatores ambientais e sanitários.

Relatórios internacionais sobre clima e saúde apontam que o aumento das temperaturas globais vem ampliando a exposição das populações a eventos extremos. Um episódio intenso de El Niño pode agravar esses riscos em regiões que já enfrentam ondas de calor, secas ou dificuldades de acesso à água.

Aquecimento global pode ampliar os impactos climáticos

O El Niño é um fenômeno natural e cíclico, mas seus efeitos ocorrem em um planeta que já está mais quente em razão das mudanças climáticas. A emissão de gases de efeito estufa, especialmente dióxido de carbono (CO₂), está relacionada principalmente à queima de combustíveis fósseis e ao desmatamento.

O aquecimento global contribui para elevar as temperaturas médias e pode intensificar os impactos de determinados eventos extremos. A combinação entre temperaturas mais altas e alterações nos padrões de chuva aumenta os desafios para a saúde pública, a agricultura e a infraestrutura das cidades.

Acordo de Paris busca limitar o aquecimento global

Assinado em 2015, o Acordo de Paris estabelece o compromisso internacional de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2 °C em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para limitar esse aumento a 1,5 °C.

Para alcançar essas metas, é necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa e ampliar medidas de adaptação aos impactos climáticos. Entre as ações estão a expansão de fontes de energia de baixa emissão, o combate ao desmatamento e o fortalecimento de sistemas de alerta e proteção da população contra eventos extremos.

Diante da possibilidade de um El Niño intenso, o monitoramento meteorológico e as medidas preventivas de saúde pública são importantes para reduzir a exposição da população ao calor e aos demais riscos associados às mudanças nas condições climáticas.

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